
Foto: Ernest Brooks (Imperial War Museums (collection no. 1900-09)
Por: Rafael Sávio – Cirurgião Plástico
A história da medicina fascina, impressiona e até amedronta alguns. Mas e na cirurgia plástica? Vocês conhecem os primórdios de quando e como ela começou? Será que está ligada a algo específico ou figuras históricas? Eu sou Rafael Sávio, cirurgião plástico, e vou rascunhar alguns capítulos desta especialidade médica.
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A palavra plástico vem do grego “Plastikos”, que significa “aquilo para ser moldado”. As primeiras intervenções cirúrgicas no corpo humano, são descritas no papiro e relatam que um monge indiano Sushruta Samhita no ano de 600 a.c, desenvolveu um retalho para reconstruir o nariz amputado de mulheres adúlteras. A amputação do nariz era um costume punitivo para o adultério.

Foto: Alokprasad (CC – Wikipedia)
Sushruta descreveu a reconstrução do nariz com um retalho frontal inserido na anatomia defeituosa, levando o nome de “retalho indiano” usado até nos dias atuais, como arsenal técnico do cirurgião plástico moderno para reconstrução nasal. Celsius, um enciclopedista romano, descreveu o fechamento de lábios com uma técnica, também usada nos dias atuais: um retalho de avanço, que também reconstrói outras áreas do corpo humano.
Na antiguidade, os duelos com rapieira (tipo de espada) eram comuns e provocavam lesões na face e nariz. O cirurgião italiano Gaspare Tagliacozzi descreveu sua técnica de reconstrução nasal utilizando um retalho à distância do braço para região nasal. Posteriormente foi excomungado pela igreja. Os religiosos de antiguidade consideravam heresia e “coisa do demônio” modificar o corpo humano. Gaspare escapou da pena e posteriormente foi homenageado com uma estátua no teatro em Bolonha, onde lecionou medicina.
A cirurgia plástica moderna se iniciou no século XX, logo após a primeira guerra mundial. Os soldados, que ficavam nas trincheiras, tinham os rostos mutilados por projéteis, bombas e estilhaços. Coube a medicina buscar soluções para a reconstrução dos rostos dos veteranos. Assim surgiu uma nova disciplina e especialidade médica nas faculdades de medicina: a Cirurgia Plástica.
Os primeiros cirurgiões plásticos vieram, portanto, oriundos da cirurgia geral, ortopedia e otorrinolaringologia, dentre ele se destacou Sir Harold Gilles (1882-1960) chamado de “pai da cirurgia plástica” no qual lecionou oportunamente ao Dr Ivo Pitanguy, patrono da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Ivo Hélcio Jardim de Campos Pitanguy (1926-2016) foi um dos pioneiros da cirurgia com finalidade estética do mundo, mas a especialidade nunca foi, e nem deve ser dividida, a reconstrução e a estética andam lado a lado.
A SBCP e a AMB (Associação Médica Brasileira), deixaram claro: a especialidade é única e indivisível (Resolução CFM nº1.621/2001), estética e reconstrução se misturam, abrange uma ampla gama de tratamentos que visam a reparação de defeitos e imperfeições congênitos ou adquiridos, melhorando a função e a harmonia do corpo humano.
Em meio toda esta história vamos finalizar com um bônus sobre a história da lipoaspiração. O francês Yves-Gérard Illouz (1929-2015) tratou um lipoma (tumor benigno de células gordurosas) nas costas da namorada dele (uma atriz famosa). Ele ligou o aspirador cirúrgico e mediante um “furo” removeu a gordura sem deixar cicatriz extensa. Yves já havia feito de maneira experimental, mas a partir deste fato iniciou-se uma série de estudos para garantir a segurança ao paciente.














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