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Cleitinho está indeciso e embaralha jogo eleitoral

Cenários variam entre chapa pura, Falcão ao governo, vice de outro partido ou até aliança com Simões
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Fotos: Divulgação/Agência Minas (Simões)

A sinalização do senador Cleitinho de que só vai decidir em junho se será ou não candidato ao governo de Minas embaralhou ainda mais um cenário que já vinha sendo marcado por conversas de bastidor, aproximações improváveis e movimentos que podem mudar completamente até as convenções partidárias, marcadas para o período de 20 de julho a 5 de agosto.

A declaração foi feita em um vídeo publicado no Instagram na última segunda-feira (06/04) e ganhou peso político imediato. Isso porque, antes disso, o próprio Cleitinho já havia dito, em entrevista ao Patos Notícias, que Falcão seria seu vice-governador e que tudo dependeria do ex-prefeito de Patos de Minas. Falcão, por sua vez, respondeu de forma direta: o convite estava aceito.

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Mas a fala mais recente de Cleitinho joga luz sobre uma realidade que a política mineira conhece bem: até a definição oficial das chapas, nada está sacramentado. E, neste momento, o que existe é uma negociação aberta, intensa e cheia de variáveis.

De um lado, Mateus Simões intensifica sua movimentação. Agora falando de forma mais afirmativa, como quem se apresenta ao estado com musculatura de candidato, ele cumpre agenda de 100 dias pelo interior de Minas, distribuindo recursos, prometendo obras e buscando apoio de prefeitos. O alvo é evidente: consolidar uma base municipal forte, inclusive entre lideranças que têm proximidade com Falcão.

Nesse tabuleiro, o capital político de Falcão também entra em observação. O saldo de sua passagem pela presidência da AMM, antes muito elogiado e cercado de apoio, já não parece ter a mesma solidez de outros momentos. Nos bastidores, começa a circular o comentário de que até prefeitos da diretoria da entidade, eleitos junto com ele, podem acabar migrando para o campo de Simões. É cedo para cravar qualquer movimento, mas o burburinho já existe — e, em política, burburinho quase sempre antecede teste de lealdade.

Ao mesmo tempo, Cleitinho também dá sinais de aproximação com Simões. Na segunda-feira (06/04), comentou em um vídeo do governador em exercício com a frase: “Vamos juntos governador conte comigo”. A resposta veio no mesmo tom: “@cleitinhoazevedo Grato pelo seu apoio!!! 🙌 Juntos por Minas!”. Num ambiente político em que gesto público vale tanto quanto reunião reservada, a troca de mensagens não passou despercebida.

Tudo isso acontece enquanto ainda existem feridas abertas entre Falcão e Simões. O ex-prefeito de Patos de Minas ainda remói a crise envolvendo o fim do apoio que a prefeitura dava à segurança pública do Estado por meio de estagiários. Na ocasião, Falcão reagiu publicamente a uma declaração do governo com vídeo nas redes. Do outro lado, Simões teria intimidado Lud Falcão e exigido que Falcão “pedisse desculpas”. Lud tornou o episódio público e expôs nas redes o telefonema e a pressão sofrida.

É justamente por causa desse histórico que o cenário atual parece, ao mesmo tempo, improvável e possível. Na política, adversários de ontem podem virar aliados de amanhã, desde que a conta eleitoral feche.

Hoje, pelo menos quatro caminhos aparecem no horizonte:

O primeiro é a manutenção do plano original: Cleitinho candidato ao governo e Falcão na vice, numa chapa puro-sangue do Republicanos.

O segundo é uma guinada mais ousada: Cleitinho desistiria da disputa e abriria espaço para que Falcão assumisse a cabeça de chapa ao governo.

O terceiro cenário envolve uma escolha mais pragmática. O Republicanos poderia buscar um vice de outro partido para ampliar tempo de televisão e fundo partidário. Nesse desenho, Falcão ficaria fora da chapa majoritária e teria de decidir entre não disputar ou buscar um mandato no Legislativo.

E há ainda uma quarta hipótese, que até pouco tempo pareceria inimaginável: Cleitinho apoiar Simões e indicar o vice, que poderia ser Gleidson Azevedo, seu irmão, ou até o próprio Falcão.

Assustador? Talvez. Impossível? Nem de longe.

A verdade é que a locomotiva de 2026 começou a ganhar velocidade em Minas, e a nova fala de Cleitinho mostra justamente isso: a eleição ainda está em fase de montagem, os interesses seguem em movimento e muita água ainda vai passar por debaixo da ponte até julho.

No fim das contas, a única certeza hoje é a incerteza. E, para quem acompanha política mineira, isso significa uma só coisa: apertem os cintos.

Esse texto é uma produção independente e não representa a opinião do Patos Notícias. A responsabilidade é integral do titular da coluna.

Cemil
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COMENTÁRIOS
Patense

Um personagem neste enredo que não passou despercebido é o ex presidente da FIEMG. Recentemente renunciou à presidência da entidade e se filiou ao PL e já demonstrou ter muito interesse no executivo estadual. Lembrando que ele tem o apoio de outro Flávio. Nos bastidores estão falando de um “acordo” entre o PL e o Cleitinho. O ex prefeito de Patos é fraco neste meio: “galinha que anda com Patos, morre afogada”


DELMO Pimentel

Todas essas notícias me”parecem” suspeitas. Até porque a política age assim mesmo, tentando enganar o eleitor! (Estou falando da política e não do jornalismo).


Os comentários não representam a opinião do Patos Notícias. A responsabilidade pelo conteúdo é integralmente do autor do comentário.

Biografia

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Lélis Félix

Jornalista e editor de política no portal Patos Notícias. Já trabalhou na Jovem Pan, Revista Oeste, no portal O Fator e no jornal Estado de Minas.

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