Qualificação das equipes é o diferencial no enfrentamento de doenças infecciosas graves como a febre amarela

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Crédito: Divulgação/SES-MG

O atual cenário de enfrentamento da febre amarela em Minas Gerais vem mobilizando todo o Sistema Estadual de Saúde para atendimento emergencial das demandas de imunização e ações de prevenção e controle da doença, com destaque para as estratégias desenvolvidas nos municípios mais afetados.

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Uma das medidas utilizadas pelo Governo do Estado de Minas Gerais é a qualificação constante dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), com ações educacionais que potencializem o cotidiano do trabalho em saúde, fortalecendo a relação dos trabalhadores do SUS com o contexto em que atuam.

Além da tradicional especialização em Saúde Pública, que aborda a integralidade da atenção à saúde com as práticas de vigilância e epidemiologia no SUS, a ESP-MG, ciente da necessidade de ações pontuais de qualificação, realizou dois cursos em 2017.

Os cursos “Território e saúde: reflexões a partir da obra de Milton Santos” e “Vigilância em Saúde: Ênfase no Território e no Planejamento Estratégico Situacional” focaram em demandas territoriais para os trabalhadores que atuam na ponta dos serviços públicos de saúde.

De acordo com uma das docentes da ESP-MG, Amanda Soares, esse tipo de conhecimento fortalece a relação dos trabalhadores do SUS com o contexto em que atuam, e em cenários como o da febre amarela, são diferenciais para as articulações das equipes.

“Esses cursos, ancorados no referencial da Educação Permanente em Saúde (EPS), ampliam a atuação dos profissionais em momentos como este para informar e assistir à população sobre determinada condição, atuando de fato nas necessidades de saúde das pessoas e das coletividades”, diz Amanda.

A também docente e pesquisadora da instituição, Rose Ferraz, aponta que as ações educacionais propõem reflexões e discussões sobre a contribuição da Vigilância em Saúde.

“Assumir essa conformação espacial do território permite acessar a escala do cotidiano, conduzindo ao entendimento de como diferentes usos e ações sobre o território podem conformar contextos vulneráveis para a saúde. Um diferencial para a melhoria do atendimento da população”, afirma.

Ações como essas contribuem na qualificação dos profissionais que atuam diretamente com a população e também ajudam a alcançar resultados positivos no controle das doenças.

No caso da febre amarela, por exemplo, no final de 2016 e início de 2017, Minas Gerais apresentava aproximadamente 50% de cobertura vacinal na população residente no estado. Hoje, a cobertura vacinal já está em quase em 83%, sendo que a meta é chegar aos 95% de cobertura vacinal.  

“Houve, portanto, um aumento significativo dessa proteção, fazendo com que os casos que nós temos hoje tenha um padrão de dispersão diferente do que aconteceu no período da transmissão anterior e principalmente pelo fato do aumento dessa cobertura”, explica o subsecretário de Epidemiologia da SES-MG, Rodrigo Said.

Ele também ressalta a queda da letalidade da doença, “a taxa de letalidade dos casos confirmados por febre amarela, a partir dos últimos boletins, tem reduzido. Nós começamos o ano com, aproximadamente, uma letalidade de 80% e hoje temos a letalidade de aproximadamente 53%. Ainda temos vários casos em investigação e a maioria desses casos, até o momento, são poucos que evoluíram para óbito. Então, possivelmente, essa letalidade ainda vai reduzir ao longo das próximas semanas”, completa.  

Crédito: Marcus Ferreira

No território

A psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da Prefeitura de  Mariana (Território Metropolitano), Cláudia Furtado,  foi aluna na ação ‘Território e saúde’, e destaca a relevância do que aprendeu em sala de aula para sua atuação nas demandas do município.

“É importante refletirmos sobre a dimensão do território que atuamos, principalmente na dimensão sociológica. Nesse atual cenário, estamos aplicando os conceitos de fixos e fluxos de Milton Santos para pensar na noção de pertencimento da população em relação à cidade e nas possíveis estratégias a serem desenvolvidas, na tentativa de reduzir os agravos de saúde”, explica.

Enfrentamento

É importante ressaltar que a medida mais importante para prevenção e controle da febre amarela é a vacinação da população que reside ou que se desloque para regiões silvestres, rurais ou de mata de áreas com recomendação de vacina (ACRV). 

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda que pode levar à morte. É transmitida pelo mosquito Haemagogos e Sabethes que está presente em áreas rurais, em matas, margens de rios e se hospeda nos macacos.  

Saiba mais em: www.saude.mg.gov.br/febreamarela.

FONTE: Agência Minas

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