
Os bombeiros militares Renato Melo e Lúcio Flávio, do 12º Batalhão de Bombeiros Militar de Patos de Minas, retornaram ao Brasil após participarem da missão humanitária de resposta aos fortes terremotos que atingiram a Venezuela. Mais de 4,5 mil pessoas morreram em consequência do desastre.
Depois do retorno, os militares concederam entrevista ao Patos Notícias e relataram os desafios enfrentados durante os trabalhos de busca e resgate. A equipe brasileira permaneceu durante 14 dias na operação e realizou 90 intervenções. Ao todo, 23 vítimas foram localizadas e retiradas dos escombros, mas nenhuma delas foi encontrada com vida.
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Segundo o tenente Renato Melo, o terremoto ocorreu numa quarta-feira, dia 24. Já na sexta-feira, a primeira equipe brasileira havia chegado à região atingida. Ele e outros militares desembarcaram no domingo à noite para reforçar o grupo que já estava atuando.
Ao chegar ao país, a equipe passou por um centro de recepção e controle ligado às Nações Unidas. No local, foram cadastrados os profissionais, equipamentos e demais recursos disponíveis para a operação.
De acordo com Renato, esse posto de comando era responsável por definir os locais onde as equipes internacionais seriam empregadas. A prioridade era direcionar os grupos especializados para pontos onde ainda existisse possibilidade de encontrar sobreviventes.
“O foco das equipes é buscar pessoas com vida. As equipes internacionais, que possuem muitos recursos de busca e resgate, são empenhadas prioritariamente nessas ações”, explicou.
Logística foi um dos principais desafios
Renato destacou que um dos maiores desafios da missão foi transportar todos os equipamentos, insumos e suprimentos necessários. A força-tarefa precisava manter certa autonomia para não utilizar recursos da própria comunidade, que já estava severamente afetada.
Além do grande volume de materiais, as equipes encontraram estradas destruídas e vias bloqueadas por edificações que desabaram. As dificuldades de acesso atrasavam o deslocamento dos bombeiros e dos equipamentos até os locais de trabalho.
“É uma logística que carrega muita coisa, muito equipamento. Quando a gente chega, a infraestrutura local também está bastante afetada. Diversas vias foram destruídas e edificações caíram, fechando os acessos”, relatou.
A extensão da destruição também dificultou a definição dos locais que deveriam receber atendimento primeiro. Segundo o militar, comunidades inteiras foram afetadas e várias edificações sofreram desabamento completo.
Os bombeiros precisavam realizar uma triagem dos locais com maior probabilidade de haver vítimas, especialmente sobreviventes, para direcionar as equipes especializadas.
Prédios de até 15 andares ficaram destruídos
A equipe brasileira atuou principalmente em Caraballeda, na região próxima a La Guaira. Renato relatou que prédios com mais de dez pavimentos, alguns com 12 ou 15 andares, ficaram completamente destruídos.
Outros imóveis sofreram danos estruturais tão graves que provavelmente não poderão ser recuperados. Com isso, muitas pessoas ficaram desalojadas porque suas residências não apresentavam mais condições de segurança e habitabilidade.
Durante o período de atuação, a força-tarefa brasileira trabalhou em 90 frentes. Em 23 delas, os bombeiros localizaram e recuperaram vítimas que já estavam sem vida.
“A equipe brasileira não conseguiu resgatar ninguém com vida. Nós conseguimos fazer a recuperação de 23 pessoas já em óbito, de um total de 90 intervenções. Mas essa não era a prioridade. A prioridade era sempre a busca por pessoas com vida”, afirmou Renato.
“Destruição praticamente generalizada”
Para o sargento Lúcio Flávio, a primeira participação em uma missão fora do Brasil foi uma experiência nova e bastante impactante.
O militar descreveu um cenário de destruição generalizada em grande parte da região onde a equipe trabalhou. Ele também relatou que moradores procuravam constantemente os bombeiros em busca de informações e ajuda.
“É bastante impactante ver edificações de 12 ou 15 andares no chão. Muita gente vinha atrás da gente e pedia ajuda. A gente tentava fazer o máximo que podia”, contou.
Apesar do cenário difícil, Lúcio afirmou que o conhecimento adquirido na Venezuela poderá ser utilizado em futuras ocorrências no Brasil.
“Tudo o que a gente viveu lá vai servir de experiência e aprendizado para o atendimento de ocorrências em território nacional também”, destacou.
Avaliações médicas e psicológicas
Antes de deixar o Brasil, os militares passaram por avaliações médicas. O procedimento foi repetido após o retorno da missão, quando chegaram a Belo Horizonte.
Também foram solicitados exames para verificar as condições físicas dos integrantes da equipe. Os bombeiros passaram ainda por avaliação psicológica e, conforme a necessidade de cada militar, poderão receber acompanhamento dentro do sistema de saúde da própria corporação.













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