Bolsonaro é citado no caso Marielle e ataca Globo "canalhice"

Porteiro declarou que um dos suspeitos da morte disse que iria para a casa 58 (de Bolsonaro). Registros da Câmara apontam que deputado estava em Brasília. Em live, ele atacou a Globo e acusou Witzel.

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Bolsonaro e Marielle Franco
Foto: Marcos Corrêa/PR e Renan Olaz/Câmara do Rio de Janeiro

O Jornal Nacional da última terça-feira (29/10) exibiu uma reportagem que abalou o governo de Jair Bolsonaro (PSL). O jornalismo da TV Globo apurou que o porteiro do condomínio teria dito à polícia que um dos suspeito de participar do assassinato de Marielle Franco teria dito que iria para a casa do presidente.

Ainda segundo a reportagem, esse suspeito teria chegado ao condomínio no Rio de Janeiro na tarde do dia 14 de março de 2018, horas antes do crime. O porteiro disse, em depoimento, que o homem falou que iria para a casa 58. Diante disso, ele interfonou e relatou que reconheceu a voz como sendo do “Seu Jair”. Pelos registros, esse imóvel pertence a Jair Messias Bolsonaro.

De acordo com a apuração do Jornal Nacional, o porteiro afirmou que acompanhou a movimentação pelas câmeras e visualizou que o homem foi para outra residência onde mora outro suspeito de participação no homicídio.

Para completar, segundo o JN, o porteiro narrou que interfonou novamente para a casa 58 e questionou sobre o destino do visitante. O morador, identificado como “Seu Jair”, disse que sabia para onde o homem estava indo.

Álibi de Bolsonaro

Na época Jair Bolsonaro ainda era deputado e a TV Globo checou a presença na Câmara em Brasília. Pelos registros, ele participou de votações no plenário às 14 e às 20h30 e desta forma, segundo a reportagem, não poderia estar no Rio de Janeiro.

Presidente se defende

Jair Bolsonaro, direto da Arábia Saudita, entrou ao-vivo nas redes sociais e rebateu a reportagem do Jornal Nacional. Ele citou as presenças no painel eletrônico da Câmara dos Deputados e também acusou o governador Witzel de vazar informação para a imprensa.

Conclusão que se tira disso aí: esse processo está em segredo de Justiça. Como chega na Globo? Quem vazou para a Globo? Segundo a Veja, está publicado aqui, quem vazou esse processo pra Globo foi o senhor governador [Wilson] Witzel. O senhor governador Witzel que se explique agora como é que ele vazou esse processo. O que que cheira isso daqui?

Em seguida Wilson Witzel emitiu nota e se posicionou a respeito das declarações de Bolsonaro. Leia a seguir:

Lamento profundamente a manifestação intempestiva do presidente Jair Bolsonaro. Ressalto que jamais houve qualquer tipo de interferência política nas investigações conduzidas pelo Ministério Público e a cargo da Polícia Civil. Em meu governo, as instituições funcionam plenamente e o respeito à lei rege todas nossas ações. Não transitamos no terreno da ilegalidade, não compactuo com vazamentos à imprensa. Não farei como fizeram comigo, prejulgar e condenar sem provas. Hoje, fui atacado injustamente. Ainda assim, defenderei, como fiz durante os anos em que exerci a Magistratura, o equilíbrio e o bom senso nas relações pessoais e institucionais. Fui eleito sob a bandeira da ética, da moralidade e do combate à corrupção. E deste caminho não me afastarei.

Ataque a Globo

Além disso, disse que isso era uma “canalhice” e que a concessão da emissora só será renovada caso tudo estiver “enxuto […] legal”

Isso é uma patifaria, TV Globo! TV Globo, isso é uma patifaria!

É uma canalhice o que vocês fazem. uma ca-na-lhi-ce, TV Globo. Uma canalhice fazer uma matéria dessas em um horário nobre, colocando sob suspeição que eu poderia ter participado da execução da Marielle Franco, do PSOL.

Isso é uma patifaria, TV Globo! TV Globo, isso é uma patifaria!”

É uma canalhice o que vocês fazem. uma ca-na-lhi-ce, TV Globo. Uma canalhice fazer uma matéria dessas em um horário nobre, colocando sob suspeição que eu poderia ter participado da execução da Marielle Franco, do PSOL.

Durante o Jornal da Globo, Renata Lo Prete leu uma nota da emissora sobre as declarações de Jair Bolsonaro.

A Globo não fez patifaria nem canalhice. Fez, como sempre, jornalismo com seriedade e responsabilidade. Revelou a existência do depoimento do porteiro e das afirmações que ele fez. Mas ressaltou, com ênfase e por apuração própria, que as informações do porteiro se chocavam com um fato: a presença do então deputado Jair Bolsonaro em Brasília, naquele dia, com dois registros na lista de presença em votações.

O depoimento do porteiro, com ou sem contradição, é importante, porque diz respeito a um fato que ocorreu com um dos principais acusados, no dia do crime. Além disso, a mera citação do nome do presidente leva o Supremo Tribunal Federal a analisar a situação.

A Globo lamenta que o presidente revele não conhecer a missão do jornalismo de qualidade e use termos injustos para insultar aqueles que não fazem outra coisa senão informar com precisão o público brasileiro. Sobre a afirmação de que, em 2022, não perseguirá a Globo, mas só renovará a sua concessão se o processo estiver, nas palavras dele, enxuto, a Globo afirma que não poderia esperar dele outra atitude. Há 54 anos, a emissora jamais deixou de cumprir as suas obrigações.

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