Patos de Minas

Vereadores arquivam PL mas empresários homofóbicos ainda podem ser punidos

Lei sancionada em 2002 prevê até interdição de empresa.
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Câmara Patos de Minas
Foto: Divulgação

O projeto de lei 5099/2020 que previa sanções contra discriminação de gênero em Patos de Minas foi arquivado pelo poder legislativo. O texto trazia punições como multa, suspensão ou cassação do alvará de empresários que promovessem homofobia.

A matéria foi levada ao plenário duas vezes e em ambos os casos teve a votação suspensa após os vereadores Braz Paulo (PROS) e Francisco Frechiani (DEM) pedirem vista.

Houve uma polarização entre a sociedade. A comunidade LGBT defendeu a aprovação do projeto e chegou a comparecer nas duas sessões da câmara. Já grupos de direita se posicionaram contrários a proposta e se justificaram dizendo que ele era inconstitucional.

Na segunda-feira (16/03), a Comissão de Legislação, Justiça e Redação (CLJR) se reuniu e decidiu arquivar o projeto. Concordaram com o arquivamento Dalva Mota (PSDB) e Otaviano Marques (DEM). Eles entenderam que havia inconstitucionalidade na matéria. Já Francisco Frechiani (DEM) manifestou ser contrário ao arquivamento.

Apesar do projeto não ter seguido em frente, os empresários de Patos de Minas ainda podem ser punidos caso discriminem pessoas por causa de sua orientação sexual. Minas Gerais dispõe de uma lei que “determina a imposição de sanções a pessoa jurídica por ato discriminatório praticado contra pessoa em virtude de sua orientação sexual”. A lei 14.170 de 15 de janeiro de 2002 foi proposta pelo ex-deputado João Batista de Oliveira (PDT) e sancionada pelo então governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB).

Confira a íntegra da lei abaixo:

Art. 1º – O Poder Executivo imporá, no limite da sua competência, sanção à pessoa jurídica que, por ato de seu proprietário, dirigente, preposto ou empregado, no efetivo exercício da atividade profissional, discrimine ou coaja pessoa, ou atente contra os seus direitos, em razão de sua orientação sexual.

Art. 2º – Para os efeitos desta Lei, consideram-se discriminação, coação e atentado contra os direitos da pessoa os seguintes atos, desde que comprovadamente praticados em razão da orientação sexual da vítima:

I – constrangimento de ordem física, psicológica ou moral;

II – proibição de ingresso ou permanência em logradouro público, estabelecimento público ou estabelecimento aberto ao público, inclusive o de propriedade de ente privado;

III – preterição ou tratamento diferenciado em logradouro público, estabelecimento público ou estabelecimento aberto ao público, inclusive o de propriedade de ente privado;

IV – coibição da manifestação de afeto em logradouro público, estabelecimento público ou estabelecimento aberto ao público, inclusive o de propriedade de ente privado;

V – impedimento, preterição ou tratamento diferenciado em relação que envolva a aquisição, a locação, o arrendamento ou o empréstimo de bem móvel ou imóvel, para qualquer finalidade;

VI – demissão, punição, impedimento de acesso, preterição ou tratamento diferenciado em relação que envolva o acesso ao emprego e o exercício da atividade profissional.

Art. 3º – A pessoa jurídica de direito privado que, por ação de seu proprietário, preposto ou empregado no efetivo exercício de suas atividades profissionais, praticar ato previsto no artigo 2º fica sujeita a:

I – advertência;

II – multa no valor de R$1.000,00 (um mil reais) a R$50.000,00 (cinqüenta mil reais), atualizados por índice oficial de correção monetária, a ser definido na regulamentação desta Lei;

III – suspensão do funcionamento do estabelecimento;

IV – interdição do estabelecimento;

V – inabilitação para acesso a crédito estadual;

VI – rescisão de contrato firmado com órgão ou entidade da administração pública estadual;

VII – inabilitação para recebimento de isenção, remissão, anistia ou qualquer outro benefício de natureza tributária.

Parágrafo único – Os valores pecuniários recolhidos na forma do inciso II deste artigo serão integralmente destinados ao centro de referência a ser criado nos termos do artigo 6º desta Lei.

Art. 4º – A pessoa jurídica de direito público que, por ação de seu dirigente, preposto ou empregado no efetivo exercício de suas atividades profissionais, praticar ato previsto no artigo 2º desta Lei fica sujeita, no que couber, às sanções previstas no seu artigo 3º.

Parágrafo único – O infrator, quando agente do poder público, terá a conduta averiguada por meio de procedimento apuratório, instaurado por órgão competente, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.

Art. 5º – Fica assegurada, na composição do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, a participação de um representante das entidades civis, legalmente reconhecidas, voltadas para a defesa do direito à liberdade de orientação sexual.

Art. 6º – Fica o Poder Executivo autorizado a criar, na estrutura da administração pública estadual, um centro de referência voltado para a defesa do direito à liberdade de orientação sexual, que contará com os recursos do Fundo Estadual de Promoção dos Direitos Humanos.

Parágrafo único – Até que se crie o centro de referência de que trata este artigo, os valores pecuniários recolhidos na forma do inciso II do artigo 3º serão destinados integralmente ao Fundo Estadual de Promoção dos Direitos Humanos.

Art. 7º – O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de sessenta dias contados da data de sua publicação, por meio de ato em que se estabelecerão, entre outros fatores:

I – o mecanismo de recebimento de denúncia ou representação fundada nesta Lei;

II – as formas de apuração de denúncia ou representação;

III – a graduação das infrações e as respectivas sanções;

IV – a garantia de ampla defesa dos denunciados.

Art. 8º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 9º – Revogam-se as disposições em contrário.

Quem se sentir discriminado por causa de sua orientação sexual deve acionar a polícia e registrar um boletim de ocorrência. Também deve procurar o Ministério Público para que seja instaurado um processo de investigação poderá levar a punição do autor.

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