Sobe para 84 o número de mortos em Brumadinho; 276 pessoas estão desaparecidas

Buscas entraram no quarto dia com a ajuda de militares de Israel.
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Foto: Divulgação (Corpo de Bombeiros/MG)

Uma barragem rompeu-se na cidade de Brumadinho, próxima a Belo Horizonte, na tarde da última sexta-feira (25). O último balanço divulgado na noite desta terça-feira contabiliza 84 mortos e 276 desaparecidos. Já foram identificados 42 corpos.

O número de óbito é contabilizado apenas com aqueles que deram entrada no IML (Instituto Médico Legal) em Belo Horizonte.

A Justiça de Minas Gerais determinou o bloqueio de 5 bilhões de reais da Vale, como forma de garantir que o dano humano e ambiental seja indenizado.

Imagens da Rede Record mostram o resgate de uma vítima pelo Corpo de Bombeiros. O registro foi feito por volta das 15h de sexta-feira, logo após o rompimento.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou neste sábado (26) a mineradora Vale em R$ 250 milhões. A companhia é responsável pela barragem de rejeitos que se rompeu ontem (26) na região metropolitana de Belo Horizonte.

“A mineradora Vale, responsável pela catástrofe socioambiental ocorrida na tarde de ontem (25) em Brumadinho (MG), foi multada pelo Ibama neste sábado (26/01) em R$ 250 milhões”, diz nota do órgão.

 O Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante sobrevoo da região atingida pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG.
Foto: Divulgação (Presidência da República)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que mantém a esperança de encontrar sobreviventes após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho. “Vamos fazer o possível e o impossível para isso”, destacou, por meio de seu perfil na rede social Twitter.

Zema sobrevoou  a área atingida pelos rejeitos da barragem, acompanhado do presidente Jair Bolsonaro que, segundo ele, prometeu todo apoio da União a Minas Gerais. Ainda no Twitter, o governador agradeceu a solidariedade e a ajuda ao povo mineiro e disse que todas as providências em relação à tragédia serão tomadas.

Análises da água do Rio Paraopeba ficam prontas até quarta-feira

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Foto: Divulgação (Defesa Civil)

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, Disse que os resultados das análises químicas de material colhido em 47 pontos de captação do Rio Paraopeba devem ficar prontos até quarta-feira.

Segundo ele, o avanço da onda de sedimentos já desacelerou e atingiu menos de 1 quilômetro por hora. Com isso, a expectativa de técnicos é que os rejeitos atinjam a usina de Retiro Baixo nos primeiros dias de fevereiro. “Se ultrapassar e chegar a Três Marias, será em velocidade ainda mais baixa”, afirmou.

Canuto disse que um comitê está sendo instalado para revisar a Política Nacional de Segurança de Barragens. A lei foi instituída em 2010 e, desde a tragédia de Mariana, várias propostas de atualização foram apresentadas, mas não houve um ajuste definitivo além de resoluções a respeito de categorização de níveis de risco.

O ministro também defendeu uma revisão dos processos que tratam desde a autorização de instalação e funcionamento até a fiscalização dos empreendimentos. Ele lembrou que os licenciamentos são feitos pelo estado e que o governo federal atua na fiscalização, por meio da Agência Nacional de Mineração que recebe dados das próprias mineradoras além de produzir análises. “Existe uma parcela de responsabilidade conjunta para evitar novos desastres”, disse.

Em oração do Angelus, Papa cita vítimas da tragédia de Brumadinho

Após a oração do Angelus, no Lar do Bom Samaritano Juaz Díaz, na Cidade do Panamá, o Papa Francisco lembrou as vítimas do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), no início da tarde de sexta-feira (25). Pelo menos, 37 pessoas morreram.

O Pontífice citou também a tragédia ocorrida no estado mexicano de Hidalgo, onde a explosão de um oleoduto perfurado ilegalmente mantou até o momento 114 pessoas.

“Desejo expressar meus sentimentos de pesar pelas tragédias que atingiram os estados de Minas Gerais, no Brasil, e Hidalgo, no México. Confio à misericórdia de Deus todas as pessoas falecidas. Ao mesmo tempo, rezo pelos feridos e expresso meu afeto e proximidade espiritual a seus familiares e a toda a população. ”

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também manifestou sua solidariedade para com as vítimas de Brumadinho. Em nota divulgada nesse sábado (26), os bispos destacam que aquela tragédia recente e semelhante quando houve rompimento de outra barragem em Mariana (MG) ensinou muito pouco.

“As famílias e as comunidades esperam da parte do Executivo rigor na fiscalização, do Legislativo, responsabilidade ética de rever o projeto do Código de Mineração, e do Judiciário, agilidade e justiça“, destaca o texto.

A CNBB manifesta estar unida também com toda a família arquidiocesana de Belo Horizonte e reforça o pedido do arcebispo dom Walmor Oliveira: “É urgência minimizar a dor dos atingidos por mais esse desastre ambiental, sem se esquecer de acompanhar, de perto, a atuação das autoridades, na apuração dos responsáveis por mais um triste e lamentável episódio, chaga aberta no coração de Minas Gerais”.

“[A CNBB] oferece orações ao Senhor da Vida em favor das famílias, das comunidades da Arquidiocese de Belo Horizonte, atingidas pelo rompimento da barragem da mineradora Vale. Convidamos cada pessoa cristã a se associar aos irmãos e irmãs que sofrem com a perda de seus entes queridos e de seus bens”, diz a entidade.

Posições oficiais sobre a tragédia

Jair Bolsonaro lamentou o acidente e disse no Twitter que a maior preocupação  é “atender eventuais vítimas desta grave tragédia”. Mais tarde, às 18:40 de sexta-feira, o presidente fez um pronunciamento oficial à imprensa. Assista abaixo:

O governo de Minas Gerais também emitiu nota:

Todo aparato estatal está mobilizado e foi deslocado para a região de Brumadinho, onde ocorreu o rompimento, para acompanhar de perto as ações e colaborar no que for preciso. Ressaltamos que, neste primeiro momento, a principal preocupação é prestar toda a assistência às vítimas.

A cidade está um “pandemônio”, relata moradora de Brumadinho

Após rompimento da barragem em Brumadinho (MG), moradores procuram se abrigar nas áreas mais altas da cidade e ter informações sobre familiares e conhecidos que estavam próximos ao local. “A cidade está um pandemônio. As pessoas estão muito assustadas”, relata Genilda Dalabrida, dona de um restaurante na cidade.

Genilda disse que os moradores estão acompanhando os resgates e procurando familiares, amigos e conhecidos que estavam próximos ao local e podem ter sido atingidos. “Você vê pessoas com celular na mão, tentando falar com família”, disse. Genilda relata que está tentando encontrar o ex-marido, que trabalhava no local, mas ainda não conseguiu contato.

De acordo com Genilda, além desse esforço, moradores estão buscando se deslocar para regiões mais seguras, nas áreas mais altas da cidade. Os donos de comércios no centro estão fechando as lojas.

“A preocupação é quem não está lá ir para locais seguros. Minha funcionária foi, voltou, e disse que a água estava baixa. Ela contou que vai para a casa da sogra, em um distrito mais alto”.

Seu restaurante fica em um local na área mais alta. Ela chamou amigos para se abrigarem lá. “Nós estamos seguros porque não estamos perto do rio. Tem muito lugar para espalhar até chegar aqui, não temos risco”, disse.

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