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*Sintomas da menopausa atingem 9 em 10, mas só 12% fazem reposição

No Brasil, 29 milhões de mulheres vivem climatério ou pós-menopausa, mas baixa adesão à terapia hormonal preocupa o Alto Paranaíba.
Image by freepik

A produtora rural patense que cria suínos pela manhã e atende clientes na loja de insumos à tarde costuma adiar a consulta médica até que o calor que aparece do nada vire um problema diário. Quando ela finalmente decide procurar ajuda, normalmente já convive há meses com noites em claro, oscilação de humor e queda no rendimento.

A descrição é comum nos consultórios de endocrinologia e ajuda a desenhar um quadro que se repete em milhões de lares brasileiros: a menopausa chegou, os sintomas estão presentes, mas o tratamento adequado demora a aparecer.

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Um levantamento divulgado em 2026 pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação, frente acadêmica do think tank Esfera Brasil, estimou que 29 milhões de mulheres no país estão na fase climatérica ou pós-menopausa, com base no Censo 2022 do IBGE.

Desse total, 63% são economicamente ativas e 33% atuam como principais provedoras de renda das famílias. A prevalência de sintomas alcança 87,9% dessa população.

A desproporção entre o número de mulheres afetadas e o número das que recebem cuidado especializado é o ponto que mais preocupa quem trabalha com saúde feminina.

Pesquisa da Reds Research, vinculada ao grupo HSR Specialist Researchers, indicou que apenas 12% das brasileiras com sintomas fazem terapia de reposição hormonal. Em países europeus, esse índice chega perto de 20%.

A diferença entre climatério e menopausa muda o tratamento

Parte do problema começa na confusão entre os dois termos. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) explica que o climatério é a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo, podendo durar vários anos antes da última menstruação e estendendo-se também aos primeiros anos depois dela.

A menopausa, em si, é a data da última menstruação, confirmada apenas após doze meses sem ciclo. No Brasil, ela ocorre, em média, aos 48 anos.

Segundo dados do IBGE citados pela FEBRASGO, cerca de 17 milhões de brasileiras estão hoje na faixa do climatério (40 a 65 anos) e 9,2 milhões já estão em menopausa estabelecida (50 a 65 anos).

A insuficiência ovariana prematura, conhecida popularmente como menopausa precoce, atinge em torno de 7,9% da população feminina, conforme apuração da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

A lista de sintomas vai bem além das ondas de calor que aparecem no imaginário popular. Insônia, ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual, incontinência urinária, dores articulares, cansaço persistente, ganho de peso e falhas de memória costumam surgir em conjunto.

Há ainda o que muitas pacientes descrevem como névoa mental: lapsos de memória curta, dificuldade de concentração e sensação de confusão diante de tarefas que antes eram automáticas. Em paralelo, sobe o risco de osteoporose, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

O custo do diagnóstico tardio

Quando o atendimento adequado tarda, o impacto não fica restrito ao bem-estar individual. Estudo do Instituto Esfera calcula que as perdas diretas de produtividade econômica feminina por afastamento no trabalho relacionado a sintomas da menopausa podem ultrapassar R$ 2 bilhões por ano no Brasil.

O dado dialoga com a realidade de cidades onde a mulher na faixa dos 45 aos 55 anos sustenta uma parte significativa da economia local, como acontece em Patos de Minas, polo regional do Alto Paranaíba que reúne 159 mil habitantes e tem na agroindústria, no comércio e nos serviços a maior fatia do PIB municipal, da ordem de R$ 6,1 bilhões.

A Princesa do Alto Paranaíba também ocupa uma posição geográfica peculiar quando o assunto é saúde da mulher: é considerada capital sub-regional de alta influência e atrai pacientes de toda a microrregião em busca de serviços especializados, que nem sempre estão disponíveis nos municípios menores do entorno.

Carmo do Paranaíba, Lagoa Formosa, Presidente Olegário, Coromandel e Serra do Salitre formam, junto com a sede, um corredor onde o acesso a um endocrinologista que faça acompanhamento contínuo de reposição hormonal ainda é bem mais escasso do que nos grandes centros.

A escassez tem efeito direto. Pacientes que poderiam iniciar tratamento aos primeiros sinais do climatério acabam recorrendo a medicações genéricas indicadas por amigas, suplementos comprados pela internet ou hormônios manipulados sem prescrição.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em conjunto com diretrizes americanas e europeias, é categórica: a reposição hormonal é ato médico e exige avaliação personalizada de risco e benefício, com acompanhamento de profissional habilitado.

Por que a especialidade certa faz diferença

A reposição hormonal feminina pode ser conduzida por médicos ginecologistas e por endocrinologistas. Cada profissional traz uma perspectiva: o ginecologista olha com mais ênfase para o aparelho reprodutor, enquanto o endocrinologista conduz a avaliação a partir do equilíbrio metabólico, considerando o conjunto dos hormônios, a função da tireoide, o perfil glicêmico, o colesterol e a saúde óssea.

Para mulheres que já apresentam comorbidades como hipotireoidismo, resistência insulínica ou predisposição à osteoporose, esse olhar integrado costuma facilitar o ajuste do tratamento.

A escolha entre estradiol oral, adesivo ou gel, a definição da forma de progesterona, a decisão sobre testosterona em casos selecionados e o monitoramento dos efeitos passam pela leitura conjunta de exames laboratoriais, histórico familiar e estilo de vida da paciente.

Antes de buscar uma endocrinologista especialista em reposição hormonal feminina, vale verificar formação acadêmica, vínculo com sociedades médicas reconhecidas e método clínico baseado em evidências, fatores que reduzem o risco de tratamentos genéricos ou condutas sem respaldo científico.

A ginecologista Lucia Helena Simões da Costa Paiva, que preside a Comissão Nacional Especializada em Climatério da FEBRASGO, lembra em material da entidade que a menopausa não marca o fim da vida produtiva, mas o início de uma etapa em que o cuidado precisa ser ainda mais ativo. A leitura é compartilhada por endocrinologistas que atendem pacientes vindas de cidades do interior.

Camila Souza Farias, médica formada em Endocrinologia e Metabologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP e que atende em Goiânia presencialmente e por consulta online, tem registrado em seu blog clínico observações sobre a forma como a perimenopausa se confunde com hipotireoidismo no consultório, a desaceleração metabólica do climatério e a relação entre menopausa e diabetes tipo 2.

O conjunto dessas observações reforça a tese de que tratar reposição hormonal sem olhar para os demais sistemas do corpo é uma estratégia incompleta.

Contraindicações existem e precisam ser respeitadas

A terapia de reposição hormonal não é universalmente indicada. Mulheres com histórico pessoal de câncer de mama ou de endométrio, doença ativa do fígado, antecedentes de trombose venosa profunda, embolia pulmonar ou eventos cardiovasculares costumam ter contraindicação absoluta ou relativa.

O mesmo vale para quem está há mais de dez anos da menopausa estabelecida, faixa em que o risco cardiovascular tende a superar os benefícios.

É exatamente por causa desse mapa de riscos que a indicação precisa ser individualizada. Avaliações cardiológicas, mamografia, ultrassonografia transvaginal, dosagens de FSH, estradiol, TSH, perfil lipídico e densitometria óssea fazem parte da rotina inicial de quem inicia o acompanhamento.

Em mulheres com útero preservado, a reposição combinada de estrogênio e progesterona ou progestagênio é necessária para proteger o endométrio. As formas transdérmicas, em adesivo ou gel, têm sido apontadas pelas diretrizes mais recentes como mais seguras do que os comprimidos orais para parte expressiva das pacientes.

O que considerar antes de marcar a consulta

Quem percebe sintomas compatíveis com o climatério, ainda que de forma esparsa, pode iniciar a investigação antes mesmo da última menstruação. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais opções terapêuticas existem e melhor é o controle de fatores de risco como pressão arterial, glicemia, peso corporal e densidade óssea.

Antes da primeira consulta, é útil reunir resultados de exames recentes, organizar a lista de medicamentos em uso, levantar o histórico familiar de câncer de mama, útero, ovário e doenças cardiovasculares, e listar de forma objetiva os sintomas que mais incomodam, com a frequência aproximada e o impacto na rotina. Esse material acelera a avaliação e ajuda o profissional a desenhar uma estratégia individualizada já no primeiro encontro.

Para mulheres que vivem em cidades do Alto Paranaíba e enfrentam dificuldade para encontrar especialistas no município, a teleconsulta tem se tornado uma alternativa viável para o acompanhamento de longo prazo, com idas presenciais a Patos de Minas, Uberlândia, Belo Horizonte ou Goiânia para etapas que exigem exame físico ou procedimentos.

A escolha entre presencial e online deve considerar a complexidade do caso, o suporte laboratorial disponível na cidade de origem e a preferência pessoal da paciente.

A menopausa é uma fase natural, mas o sofrimento associado a ela não precisa ser. Os números mostram que o Brasil ainda trata uma fração pequena das mulheres que poderiam se beneficiar da reposição hormonal.

Reverter essa estatística começa por levar o sintoma a sério desde o primeiro fogacho e procurar, sem demora, um profissional capacitado para conduzir o caso com segurança.

*Conteúdo de produção independente. O Patos Notícias não se responsabiliza pelas informações, opiniões ou ofertas aqui apresentadas. Este material pode conter menções a apostas e cassinos online. Jogue com responsabilidade. A prática é destinada a maiores de 18 anos.

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