Crise

Setor agro tem 10 mil empregos a menos

Com queda na demanda, agricultores abandonam produções.
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Na área rural do Distrito Federal, apesar da grande produtividade do início do ano, pequenos produtores tiveram perdas enormes devido à crise. Sem compradores e sem ter como escoar a produção por conta própria, muitos deles viram seus produtos apodrecerem sem poder fazer nada. É o que conta o agricultor Maurício Severino de Rezende, presidente da Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina-DF, a Cootaquara. O grupo é formado quase inteiramente por agricultores familiares, que vendiam produtos para a merenda escolar de escolas públicas.

“As entregas eram feitas toda segunda-feira. São 96 escolas. Era de 10 a 14 toneladas de alimentos que a gente distribuía toda semana. E isso parou do nada, então impactou muito na nossa venda. No início sobrou tanto produto que tivemos que jogar fora por não conseguir vender”, conta Maurício.

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que os maiores afetados pela crise foram os produtores de frutas e hortaliças. São eles que mais sofreram com o fim abrupto da demanda de restaurantes, bares e feiras.

Segundo Maurício, apesar da produção ter diminuído, a renda de algumas famílias está sendo mantida pela demanda de supermercados atacadistas e também do próprio Governo Federal, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Depois que a pandemia iniciou, o programa foi intensificado. Uma portaria assinada nesta semana pelo Ministério da Cidadania liberou R$ 150 milhões para comprar a produção de agricultores familiares, de um total de R$ 500 milhões que serão liberados a partir de um crédito extraordinário aberto para o enfrentamento da crise no setor. Os alimentos comprados por meio do PAA são destinados a famílias de baixa renda e entidades sociais.

“Esses programas nos ajudaram muito porque agiram rápido. Fizemos um contrato rapidamente com a Conab de R$ 200 mil. Já entregamos todos os alimentos e estamos encaminhando um segundo projeto”, conta Maurício. Contudo, segundo ele, a oferta e demanda se estabilizaram porque diversos agricultores decidiram deixar a produção. “Nossa preocupação agora é em relação com o produtor. Muitos pararam de produzir e tem muita gente vendendo as estufas, por exemplo. Nossa atividade já vinha ruim há uns dois anos. O produtor já estava descapitalizado e com a crise da pandemia ele não teve condição mais de plantar”, explica.

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, o setor agro tem 10 mil empregos a menos do que no início do ano.

O professor e pesquisador da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e membro da coordenação executiva da Articulação Nacional da Agroecologia (ANA), Silvio Porto, diz que isso aconteceu porque os aportes do governo não foram suficientes. “A medida provisória custou a sair, com a suplementação dos recursos, de R$ 500 milhões. O valor é a metade do que a ANA, junto com 877 organizações sociais estão demandando do governo federal. Para uma situação em que nós estamos vivendo três meses de pandemia, isso é altamente preocupante”.

Segundo a organização, o governo precisava investir R$ 1 bilhão para conseguir atender a 150 mil famílias de agricultores, com a compra de 300 mil toneladas de alimentos. A versão é sustentada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, que diz que os R$ 500 milhões são “claramente insuficientes para enfrentar a crise no âmbito da segurança alimentar e nutricional.”

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