“Segredo dos Deuses”: Igreja Universal é acusada de tráfico internacional de crianças em Portugal

Após 7 meses de investigações, uma das maiores emissoras de TV de Portugal divulga série de reportagens que investiga adoções ilegais.
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Uma investigação realizada por duas repórteres portuguesas, Alexandra Borges e Judite França, impactou Portugal e o mundo nesta semana. A investigação durou sete meses e voltou-se para diversas adoções ilegais realizadas pela Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977, presente em 182 países e em Portugal desde 1989. As repórteres informaram que a linha investigativa tendia para outros casos, quando se depararam com uma série de situações ilegais envolvendo adoções e a Igreja Universal, e ao procurarem pelas famílias, vítimas da igreja, uma série de crimes que duram mais de 20 anos foram desvendados. As investigações deram origem à série de reportagens exibidas pela TVI, uma das maiores redes de TV portuguesa, a qual foi chamada de “Segredo dos Deuses” e contará com 10 episódios. O nome da série é uma analogia ao silêncio vivido pelas famílias prejudicadas nas ações ilegais cometidas pela igreja do Bispo Edir Macedo.

A Universal é acusada de ludibriar famílias pobres em momentos de fragilidade, na década de 1990, e encaminhar seus filhos para uma lar ilegal e sequencialmente impedir visitações mediante mentiras, enviando as crianças para fora do país, principalmente para os Estados Unidos e Brasil, para que fossem adotadas por bispos e pastores da igreja. Até mesmo os netos do bispo Edir Macedo, segundo informações dadas na emissora, teriam sido crianças que viviam na instituição em Portugal e foram levadas de suas famílias e adotadas pelas filhas do líder da Universal.

O orfanato ilegal, ficava em Lisboa, em Camarate, e depois se mudou para a Avenida Gago Coutinho. E neste lar, muitas famílias passando por dificuldades deixaram seus filhos e nunca mais os viram. Algumas mães guardaram, por duas décadas, documentos e agendas que comprovavam as ações ilegais; muitas vítimas não sabiam ler e apenas suas digitais estavam no lugar das assinaturas. Haviam acordos de confidencialidade para tentar impedir que as famílias falassem sobre o assunto, e quando voltavam na instituição para visitar seus filhos, eram recebidas com mentiras. Informavam que as crianças não se encontravam no momento, que não poderiam falar, dentre outras mentiras.

Algumas mães teriam procurado as autoridades, dentre elas a polícia e a assistência social, tendo ido até mesmo a tribunais em busca de auxílio. No entanto, sem ajuda, viveram em silêncio, desvinculadas de seus filhos, os quais foram adotados em processos ilegais sem o conhecimento dos pais, e enviados para outros países.

A Igreja Universal disse que “toda a matéria que a TVI pretende veicular assenta no relato e colaboração de Alfredo Paulo Filho”, o qual teria deixado a instituição em 2013 por “condutas impróprias”. E disse também que as adoções “ocorreram em Portugal e foram decretadas pelo Tribunal de Família e Menores de Lisboa”, e que “todos os ditos ‘netos’ foram adotados pelo sistema legal português”.

As repórteres que realizaram a investigação disseram ainda não saber a real dimensão do caso, e pedem que famílias que tenham vivido o mesmo drama entrem em contato para contar suas histórias. O Ministério de Segurança Social informou que não sabia dos casos e abriu uma investigação para apurar os fatos.

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