Psicóloga alerta para casos de bullying e preconceito nas escolas de Patos de Minas

Um dos desafios é identificar os sintomas da agressão, haja vista que a maioria das vítimas não revelam o fato. "Machucados, marcas na pele, falta de vontade para ir para a escola e dores no estômago são alguns sinais que devem ser observados".
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Foto: Patrick Cassimiro

O bullying voltou a ser assunto na mídia brasileira após um adolescente matar dois colegas e ferir várias pessoas em uma escola particular de Goiânia-GO. Apesar de ser uma realidade, o tema é pouco discutido dentro das escolas e no ambiente familiar. Nossa reportagem conversou com a psicóloga, Adélia Lara Alves, que atende na Clínica Relações de Patos de Minas. De acordo com a profissional, o bullying deve ser tratado por todos. “Devemos discutir suas causas e ajudar as vítimas a superarem esse momento. Lembremos que em alguns casos o próprio agressor pode estar passando por algum transtorno”.

Nas escolas de Patos de Minas, casos de bullying aparecem exponencialmente e alguns casos são repassados à auxílio psicológico. Porém, algumas vítimas ficam intimidadas e acabam sofrendo caladas. “O medo e vergonha, acabam levando crianças e adolescentes a continuarem sofrendo os abusos. Eles se sentem acuados” declara Adélia.

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Adélia Lara Alves

Um dos desafios é identificar os sintomas da agressão, haja vista que a maioria das vítimas não revelam o fato. “Machucados, marcas na pele, falta de vontade para ir para a escola e dores no estômago são alguns sinais que devem ser observados”.

A psicóloga desenvolve trabalhos sociais em escolas públicas. Em uma escola estadual, ela atendeu adolescentes na faixa etária de 11 a 14 anos. “Além do bullying, alguns estudantes passam por um momento de descoberta de sua sexualidade e acabam sofrendo preconceito. É necessário preparo por parte dos professores para que assunto possa ser tratado de maneira adequada dentro da sala de aula” completa ela.

O maior perigo do bullying se manifesta quando a vítima atinge seu ápice. “Em alguns casos, ela chega a um ponto que não consegue mais sofrer passivamente às agressões. Nestes casos, ela tende a praticar um ato violento contra si mesmo, podendo chegar ao suicídio ou ainda atentar contra a vida de terceiros” pontua a especialista.

O agressor tente a utilizar o bullying como mecanismo de auto-afirmação. “Geralmente o autor tenta conquistar algo através de seus atos. Alcançar popularidade na escola, por exemplo. Já em casos específicos, como a homofobia, ele tende reprimir uma dúvida que carrega contigo”.

No final da entrevista, Adélia, destacou que alguns casos que acontecem não chegam a conhecimento público. “Temos que dar atenção ao bullying e combatê-lo. Existem ocorrências, inclusive em Patos de Minas, onde os estudantes chegam a pensar/cogitar o suicídio”.

No Brasil, aproximadamente um em cada dez estudantes é vítima frequente de bullying nas escolas. São adolescentes que sofrem agressões físicas ou psicológicas, que são alvo de piadas e boatos maldosos, excluídos propositalmente pelos colegas, que não são chamados para festas ou reuniões. O dado faz parte do terceiro volume do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, dedicado ao bem-estar dos estudantes.

 

 

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