Premiação reconhece boas práticas na Bacia do Rio São Francisco

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Os contemplados no I Prêmio de Boas Práticas “Salve o Rio São Francisco” foram anunciados durante solenidade de premiação, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. O prêmio teve como objetivo reconhecer e incentivar boas práticas ou projetos de conservação, uso racional e combate ao desperdício dos recursos hídricos na Bacia do Rio São Francisco.

O analista ambiental do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Heitor Soares Moreira, ressaltou a importância da premiação como forma de incentivar pessoas, empresas e instituições a adotarem práticas de uso racional da água.

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“Sabemos que os órgãos ambientais têm sua parcela de responsabilidade, mas só conseguiremos atingir os objetivos quando cada um de nós, usuários da bacia, começarmos a cumprir o papel do uso racional da água, usando aquilo que realmente é necessário, sem desperdício e com as técnicas corretas. Só assim conseguiremos atender aos usos múltiplos da água”, ressaltou.

Jairo José Isaac, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais também falou da importância da premiação, com um tema que causa tanta preocupação de todos.

“O título da premiação por si só já é bastante motivador e provocador. Estatísticas mostram que se o panorama dos recursos hídricos continuar a progredir, Minas Gerais viverá daqui a 17 anos uma crise hídrica sem precedentes no estado. Por isso, esse prêmio é tão importante, no sentido de incentivar e motivar o governo, as pessoas, as empresas e a sociedade como um todo, a fim de que despertemos para essa preocupação e desenvolvamos ações para que o quadro seja revertido”, disse.

O Prêmio de Boas Práticas recebeu projetos em três categorias: melhor projeto ou prática de órgão público; melhor projeto ou prática de cidadão, grupo de cidadãos ou organização da sociedade civil e melhor projeto ou prática de empresa. Os trabalhos foram avaliados por uma comissão julgadora, que considerou os critérios de facilidade de replicação da prática, facilidade na conservação das águas da bacia do Rio São Francisco, ganho na economia e no uso racional da água, originalidade e inovação na prática ou projeto, construção e participação coletiva da prática ou projeto, impactos positivos e benefícios para o meio ambiente e a sociedade e colaboração com a execução de políticas públicas. 

Na categoria ‘Órgão Público’ foram premiados a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Contagem com o Projeto “Contagem das Nascentes” (1º Lugar); a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) com o Projeto “Reciclar – Menos lixo, mais segurança alimentar” (2º lugar) e a Prefeitura de Brasília de Minas com o Projeto “Terraceamento em curva de nível para conservação de solo e água” (3º lugar).

Para Antônio Dumont Machado Nascimento, representante da Emater-MG, o projeto apresentado por eles é simples e pode ser desenvolvido com facilidade por outras pessoas e municípios. Antônio explica que a ação é desenvolvida no município de Glaucilândia junto aos agricultores familiares e consiste na retirada de lixo dos quintais.

“Todo material retirado por eles é levado para um local adequado de disposição e revertido em recurso financeiro. Com o valor arrecadado compramos mudas e pintinhos e repassamos para os agricultores. Com isso, conseguimos fazer a limpeza dos quintais e diminuímos sensivelmente acidentes provocados pelo entulho como ferro velho e materiais cortantes, além da diminuição de focos da dengue, além de promover o plantio nas propriedades”, disse.

Pela categoria ‘Cidadão e Organização da Sociedade Civil’ foram premiados os projetos: “Plano de Recuperação de Área de Preservação Permanente – Projeto Nascentes do Rio Verde Grande”, da Associação de Agricultores Familiares de Cava do Curral (1º lugar); “Projeto Mutirão de Limpeza do Rio São Francisco” do Movimento Ecológico São Francisco de Assis (2º lugar) e “Águas da Jangada: uma experiência comunitária”, da Associação Comunitária Jangada (3º lugar).

O secretário municipal de Meio Ambiente de Glaucilândia, Cleidson Carpeggiane, recebeu a placa representando a Associação de Agricultores Familiares de Cava do Curral e disse que a premiação é um incentivo aos municípios.

“Em Glaucilândia, todos os moradores estão sensibilizados e querendo revitalizar sua mata ciliar, recuperar o rio Verde Grande, o rio das Pedras e cercar suas nascentes. O município tem em torno de três mil habitantes e já conseguimos realizar o cercamento de seis nascentes e ainda cerca de 40 nascentes cadastradas para serem cercadas”, frisou.

Carpeggiane disse, também, que o trabalho vai impactar não só a comunidade local, mas todas as comunidades abastecidas pelo rio São Francisco. “O que está faltando hoje é essa divulgação, dos governos e das associações, para que tenham conhecimento das ações desenvolvidas nos municípios e possam apoiar e incentivar. Acredito que todas as ações, mesmo pequenas, são importantes e válidas para a recuperação dos rios, nascentes, córregos e lençol freático”, completou.

Na categoria ‘Empresa’ foram premiados os Projetos: “Reaproveitamento e Reuso da Água Presente no Leite no Processo de Produção do Leite Condensado”, da Nestlé Waters Brasil (1º Lugar); “Projeto Caixa Separadora de Água e Óleo”, da Dibrita Britadora Divinópolis Ltda (2º lugar) e o Projeto “Proteção de Nascentes e Veredas da Bacia do Rio Paracatu, da Kinross Brasil Mineração.

Leonardo Scalabrini Naves, representante da Nestlé Waters Brasil, disse que é muito gratificante participar e receber um Prêmio que compactue com a meta e missão da empresa, de contribuir com projetos e iniciativas para a eficiência e redução do consumo de água. “Gostaria de agradecer e parabenizar a comissão organizadora do Prêmio, o setor de engenharia da Nestlé e o time de Montes Claros, que contribuiu para essa conquista tão importante para a Nestlé nesse momento”, frisou.

O diretor de Licenciamento e Sustentabilidade da Kinross, Alessandro Nepomuceno, recebeu a Premiação pela Empresa e explicou que o projeto começou a ser desenvolvido como piloto em 2009, com o objetivo de contribuir para a preservação de nascentes no município de Espalha e também como forma de compensar o impacto que já existia devido ao processo da Mina do Córrego Rio.

“Desse projeto nasceu uma experiência bacana, pois começamos a entender as dificuldades que os pequenos proprietários rurais tinham de entender as questões da água e das nascentes e da importância dela”, explicou.

De acordo com o diretor, o projeto foi implantado efetivamente em 2010 e continua a ser desenvolvido até hoje pelos produtores rurais de Espalha. “As nascentes começaram a voltar e, nos últimos 4 ou 5 anos, os volumes voltaram a ser muito mais expressivos e os produtores passaram a entender a importância dessa preservação”, ressaltou.

Para o desenvolvimento do Projeto, a Kinross contou com a parceria do Instituto Estadual de Florestas (IEF), do Movimento Verde de Paracatu (Mover) e de proprietários da região. “Sem esses parceiros tão importantes não poderíamos ter atingido o objetivo de trabalhar com o pequeno produtor, ter um tempo dedicado à educação ambiental para a mudança de paradigmas na forma do uso da água”, ressaltou.

Após o convencimento do produtor sobre a importância do trabalho, a nascente é cercada e a empresa fornece todos os insumos e recursos para fazer o cercamento. Após isso, é feita a demarcação, o registro das nascentes com as coordenadas e a realização de mapas e relatórios de acompanhamento sobre como a nascente está se comportando, inclusive com a medição regular da vazão.

“Nisso já se vão 202 nascentes protegidas, 1.176 hectares de área protegida, 106 famílias de pequenos produtores rurais envolvidos e 80 km de cerca demarcada”, completou.

Nepomuceno disse ainda que, uma vez o Projeto sendo bem sucedido, foi expandido para toda a bacia do rio Paracatu, um dos principais afluentes do rio São Francisco. “O bacana disso tudo é a união de forças, de como juntos podemos contribuir para mudar o quadro de escassez hídrica. Acreditamos muito nesse Projeto e esperamos que ele gere uma cultura que faça com que as pessoas entendam e mudem sua relação com a água, que é o principal objetivo do Projeto”, finalizou.


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Fonte: AGÊNCIA MINAS

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