Podcast Sala dos Professores discute racismo no ensino de línguas e na educação

Convidado da semana, o professor Maurício de Souza Neto desenvolve projetos sobre racismo linguístico
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A Língua, enquanto idioma, não tem cor e/ou classe social. Mas por que a maneira de falar de determinadas pessoas é vista como sendo de pouco prestígio? Presente, infelizmente, na base das relações sociais, o racismo é uma das principais respostas para a questão. É sobre esse e tantos outros pontos que o professor e pesquisador de Línguas Maurício Souza Neto vai discutir nesta segunda-feira, 5, às 20h, no podcast Sala dos Professores.

Apresentado pela professora de redação Carol Silveira, o podcast foi criado para ser uma representação virtual da sala dos professores, local de diálogo entre os docentes e troca de experiência. No Sala de hoje, cuja gravação vai ser transmitida ao vivo pelo YouTube e Instagram e, posteriormente, disponibilizada no Spotify, Maurício também vai levantar questões a respeito de como o ensino de Línguas é feito muitas vezes sem apresentar uma diversidade étnica.

Isso pode ser observado já nas páginas dos livros que servem de apoio para as aulas. “No caso da língua inglesa, tem materiais didáticos bem pautados em uma norma estadunidense e ou britânica sem pensar, inclusive, nas variedades de sotaque, de vocabulário, de idade ou grupos sociais. E as imagens desses materiais também dizem muito. As pessoas negras muitas vezes são representadas somente quando vai falar de profissões, como doméstica, motorista, coisa do tipo”, aponta o professor.

O professor alerta para o fato de que isso pode influenciar diretamente no desempenho dos estudantes, já que se vendo representados de forma limitada nas páginas podem achar que é uma realidade que não é feita para eles. “Um aluno que não se vê nos materiais didáticos ou se ele for se atentar à questão da cor e tudo mais e se vê representado em determinadas posições, como no caso, cozinheiro, caixa, atendente, ela cresce acreditando que o mundo pra ele é somente é aquilo, né?”, explica.

Repensar o vocabulário a partir de uma linguística antirracista

Além de seu trabalho acadêmico e docente, Maurício também desenvolve projetos na internet como a série “Educação Linguística Antirracista”. Nela, composta de vídeos didáticos e reflexivos, o professor explica de maneira didática sobre o tema e aponta caminhos que podemos usar em nossa comunicação a partir de uma perspectiva antirracista.

Isso passa, por exemplo, na eliminação de nosso vocabulário de palavras e expressões de cunho racistas como denegrir, lista negra, a coisa tá preta, criado-mudo ou feito nas coxas. Para o professor, no entanto, é preciso cuidado para não reduzir o antirracismo a apenas uma lista de palavras a serem evitadas. “A gente entra num falso moralismo e num falso politicamente correto. ‘Ah, eu não posso usar criado-mudo, então vou usar mesa de cabeceira, eu não vou falar índio, eu vou falar indígena…’ e aí a gente vai ter sempre aquele antirracismo de vitrine, decorado sem entender de fato o cerne da coisa”, reflete Maurício.

Espaço de troca e discussão de diferentes temas

Com três episódios já disponíveis, o podcast Sala dos Professores é um novo canal de discussão do projeto que tem o mesmo, realizado pelo Educa Mais Brasil. Há um ano, no perfil do Instagram, o Sala tem promovido, de forma leve e divertida, a interação entre professores de todo o país.

“Por mais que a gente tenha questões em comum, como a precariedade e desvalorização, a gente tem indivíduos com trajetórias muito pessoais e únicas. Então, quanto mais a gente conhece outras realidades de professores no Brasil, mais a gente conhece sobre educação porque é o professor que faz essa educação acontecer, explica a professora Carol Silveira, organizadora do projeto e apresentadora do podcast.

As entrevistas são disponibilizadas com edição toda terça-feira no Spotify. Já o papo ao vivo, sem cortes e com bastidores, é transmitido por meio de uma live simultânea no YouTube e Instagram, sempre às segunda-feira, às 20h.

“Já teve Alla Miranda, que é ator e diretor, falando sobre humor e educação. Já tivemos a professora Luísa Menezes, falando sobre a pressão estética que as professoras sofrem em sala de aula. Tivemos o Daniel Pinheiro, que é especialista em formação de professores no âmbito tecnológico, falando sobre desafios nesse período de pandemia, de aula on-line. E tivemos, recentemente, o Davi Ferreira, que é psicólogo e falamos sobre saúde mental dos professores”, conta Carol.

 

Fonte: Agência Educa Mais Brasil

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