Patenses ignoram pandemia e reflexo é sentido nos hospitais

Hospital de Campanha, por exemplo, atingiu o maior percentual de internados no último domingo. Comportamento de moradores de cidades vizinhas também impacta sistema de saúde local
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O encerramento de uma festa com mais de 300 pessoas no último fim de semana em Patos de Minas confirmou que significativa parcela da população está relaxando nos cuidados contra o novo coronavírus, e a conduta estende-se a cidades da microrregião. O Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 já vem, há alguns dias, alertando para o possível impacto negativo desse comportamento nos dados epidemiológicos da doença e, consequentemente, no sistema de saúde. Os números dos últimos dias preocupam nesse sentido, uma vez que a ocupação de leitos clínicos nas redes pública e privada da cidade aumentaram expressivamente.

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O Hospital de Campanha, por exemplo, atingiu o maior percentual de internados no último domingo (20), quando assistia 21 pacientes, sendo 16 em leitos clínicos e quatro em UTI. Nessa terça-feira (22), quando atendia 20 pessoas suspeitas ou confirmadas da infecção, a ocupação de leitos clínicos chegou a 18, maior índice desde a ativação da unidade. Na rede particular, o quadro não era diferente no dia de ontem: 27 pessoas de Patos de Minas e de outras localidades estavam internadas em três instituições privadas do município. Desse total, 26 ocupavam leitos clínicos, e 24 deles já têm resultado confirmado para Covid-19.

Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Fátima Gomes demonstra preocupação quanto ao cenário que vem se desenhando em Patos de Minas, que, vale lembrar, é referência para as outras 11 cidades que integram a microrregião. “Já é visível o resultado das aglomerações. Sempre disse e volto a dizer que o comportamento irresponsável de alguns tem contribuído com o aumento na procura por leitos hospitalares. As pessoas estão lotando bares e festas, colocando todos em risco, principalmente quem está se cuidando e ficando em casa“, disse ela, acrescentando: “Reconheço que o trabalho dos fiscais não é fácil, considerando a indiferença de algumas pessoas em relação aos riscos evidentes”.

Para o coordenador do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19, Célio Adriano Lopes, chama atenção também o número de óbitos na cidade em razão da doença ou de complicações decorrentes dela. Foram 11 mortes somente do início de setembro até hoje, ou seja, média de um óbito a cada dois dias. “Como temos dito, o poder público está fazendo a sua parte, estruturou a rede de assistência e continua melhorando-a, mas não venceremos esse vírus sem a colaboração de cada cidadão. Os mais jovens precisam entender que, embora no geral tenham melhor imunidade, convivem com idosos e outras pessoas de grupos de risco. Se não nos cuidarmos, poderemos levar o perigo para dentro de casa. Isso vale para Patos de Minas e qualquer outro lugar“, alerta.

Os indicadores locais não estão tranquilos a ponto de despreocupar, sobretudo por causa da quantidade diária de novos casos. Analisando os últimos 30 dias, houve em média 15 confirmações diariamente. “Ainda é um número elevado. Vínhamos com tendência de queda até o fim da primeira quinzena deste mês, mas isso não perdurou. Patos de Minas terminará esta semana com mais novos casos em comparação a semanas anteriores. É o reflexo do relaxamento nos cuidados por parte da população”, encerra o encarregado de Informações e Estatísticas da Vigilância Epidemiológica, Erivaldo Rodrigues Soares.

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