
Um motorista de caminhão de 47 anos que faz a rota entre Patos de Minas e Uberlândia sente a lombar travar toda vez que desce da cabine. Uma professora de 52 anos, que passa horas em pé na sala de aula, já não consegue carregar a bolsa sem sentir uma fisgada que irradia para a perna.
Um produtor rural de 44 anos, que levanta sacos de ração desde os vinte, acorda com a coluna rígida e leva quase uma hora até conseguir se mover com alguma normalidade. Os três tomam analgésico, esperam a dor aliviar e seguem a rotina.
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Esse padrão se repete em consultórios de todo o Alto Paranaíba. A evidência radiológica de doença degenerativa da coluna aparece em praticamente todos os indivíduos após os 40 anos, conforme apontam estudos publicados em periódicos de ortopedia.
Em quem passa dos 50, a prevalência sobe mais: cerca de 90% dos adultos nessa faixa etária já apresentam sinais de degeneração discal em exames de ressonância magnética, mesmo sem sentir dor. O problema é que, para uma parcela desses pacientes, o desgaste silencioso se transforma em doença.
A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, conduzida pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, registrou que 23,4% dos adultos brasileiros têm problema crônico de coluna. Após a pandemia, esse número chegou a 33,9%, impulsionado pelo sedentarismo e por condições ergonômicas ruins no trabalho remoto.
Para quem vive no interior de Minas Gerais, onde o agronegócio e a indústria exigem esforço físico contínuo, o desgaste da coluna não é assunto de velhice. É questão de rotina.
O que acontece com os discos depois dos 40
Os discos intervertebrais funcionam como amortecedores entre as vértebras da coluna. São compostos por uma camada externa de fibras resistentes, chamada ânulo fibroso, e um núcleo interno gelatinoso, rico em água. Essa estrutura absorve impactos, distribui a carga do corpo e permite que a coluna se mova com flexibilidade.
Com o passar dos anos, o núcleo do disco perde água. Essa desidratação reduz a espessura e a elasticidade do disco, que passa a suportar menos carga e a se deformar com mais facilidade.
As fibras externas sofrem pequenas fissuras. Em muitos casos, o processo evolui para abaulamentos e, em situações mais graves, para hérnias de disco, quando o material interno extravasa e comprime nervos próximos.
A ciência descreve três fases desse processo degenerativo. A primeira, chamada de disfunção, ocorre geralmente entre os 20 e os 40 anos, com inflamação local e dor nas costas de caráter agudo.
A segunda fase, de instabilidade, predomina entre os 40 e os 60 anos: as fibras do disco se desorganizam, as articulações entre as vértebras perdem alinhamento e a coluna perde estabilidade mecânica. A terceira fase, de estabilização, surge após os 60, com formação de osteófitos (os chamados “bicos de papagaio”) e perda progressiva de mobilidade.
É na segunda fase que a maioria dos pacientes procura ajuda. E é também nessa fase que o risco de confundir um problema tratável com uma condição que exige cirurgia se torna maior.
O desgaste que não dói e o desgaste que paralisa
Uma das armadilhas da degeneração discal é que o exame de imagem nem sempre corresponde à dor do paciente. Existem pessoas com ressonância magnética mostrando discos bastante comprometidos que não sentem nada. E existem pacientes com alterações discretas nos exames que mal conseguem sair da cama.
A diferença está no tipo de compressão. Quando o disco degenerado apenas perde altura e se acomoda entre as vértebras, o corpo pode se adaptar. A musculatura compensa, as articulações se ajustam e a pessoa segue vivendo sem perceber que os discos estão diferentes.
Mas quando o disco se rompe, projeta material contra um nervo e gera compressão direta, o quadro muda. A dor irradia para a perna ou para o braço, surge formigamento persistente, a força diminui e o paciente começa a mancar ou a perder a capacidade de segurar objetos.
No Alto Paranaíba, onde a economia gira em torno de atividades que sobrecarregam a coluna, esse segundo cenário é comum. Patos de Minas, com PIB de R$ 8,1 bilhões e posição entre as 25 maiores economias de Minas Gerais segundo dados do IBGE, concentra milhares de trabalhadores na produção de milho, café, leite e carnes.
Segundo especialistas do COE, centro de ortopedia em Goiânia, o esforço repetitivo do campo, a vibração do volante de caminhões e tratores, a postura fixa do operador de máquina: todos aceleram o desgaste de discos que, pela idade, já estão mais frágeis.
Quando a fisioterapia e o remédio param de funcionar
O tratamento conservador resolve a maioria dos casos de degeneração discal. Medicação para controle da dor e da inflamação, fisioterapia com exercícios de fortalecimento do core abdominal, alongamentos, pilates e mudanças posturais formam a base do tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 90% dos pacientes com hérnia de disco respondem bem a esse tipo de conduta, sem precisar de cirurgia.
O problema aparece nos outros 10%. E aparece também em uma faixa de pacientes que melhora com o tratamento conservador, mas volta a piorar assim que retorna ao trabalho braçal, à rotina de direção de longa distância ou à jornada de pé durante horas. Para essas pessoas, a doença degenerativa do disco não é uma crise que vai passar. É uma condição crônica que exige avaliação com um cirurgião de coluna.
O tempo é um fator crítico. Estudos publicados no New England Journal of Medicine apontam que pacientes que não melhoram com o tratamento conservador devem ser avaliados para cirurgia em até seis meses após o início dos sintomas.
Quando a compressão nervosa se prolonga, os danos podem se tornar permanentes. Perda de força nos membros, alterações de sensibilidade e comprometimento do controle da bexiga são sinais de que a janela do tratamento conservador já se fechou.
Para quem mora no interior e depende da rede pública, a espera por um especialista em coluna pode ultrapassar esses seis meses com folga. Quem tem convênio médico tem alternativa mais rápida.
Pacientes atendidos pela Unimed, por exemplo, podem procurar um ortopedista especialista em coluna pela Unimed em centros que concentram profissionais com formação específica e volume cirúrgico comprovado, encurtando o tempo entre o sintoma e a avaliação adequada.
O papel do cirurgião de coluna na avaliação do paciente com mais de 40
Nem todo paciente com degeneração discal precisa operar. Pelo contrário: a grande maioria não precisa. Mas todo paciente com dor crônica na coluna que não responde ao tratamento conservador precisa, ao menos, ser avaliado por um cirurgião de coluna.
Essa avaliação não significa que a cirurgia será indicada. Significa que alguém com conhecimento técnico aprofundado vai analisar o caso, revisar os exames, testar a função neurológica e definir se o tratamento atual precisa de ajustes ou se existe indicação cirúrgica real.
Goiânia se consolidou como polo de referência para esse tipo de avaliação no Centro-Oeste. A cidade reúne profissionais vinculados à SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) e à Sociedade Brasileira de Coluna, com experiência em cirurgias minimamente invasivas.
Dados sobre turismo de saúde apontam que 57% dos visitantes que chegam a Goiânia viajam motivados por tratamento médico, o que reflete a infraestrutura hospitalar construída ao longo dos últimos anos.
Para o paciente do Alto Paranaíba, a distância até Goiânia é de cerca de 500 km pela BR-365 e BR-153. Muitos moradores de Patos de Minas já fazem esse trajeto para procedimentos de média e alta complexidade.
Quem tem plano de saúde pode verificar antecipadamente a rede credenciada e agendar com um especialista em coluna pela Unimed, organizando a consulta sem improviso e sem perder semanas na espera.
Cirurgia minimamente invasiva: o que mudou para o paciente que precisa operar
Quando a cirurgia é indicada, o paciente de 2026 tem à disposição técnicas que não existiam há dez anos. A cirurgia endoscópica de coluna é uma delas. O procedimento utiliza uma cânula com menos de 1 cm de diâmetro, equipada com câmera de alta definição e instrumentos miniaturizados. O cirurgião opera por meio de imagens ampliadas em monitor, com irrigação contínua de soro fisiológico que reduz o risco de infecção.
A diferença prática para o paciente é grande. A incisão na pele tem cerca de 1 cm. A musculatura ao redor da coluna é preservada, o sangramento é mínimo e a dor no pós-operatório é menor do que na cirurgia convencional. Em muitos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte e retoma atividades leves em questão de semanas.
A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, mantém um programa de especialização em cirurgia endoscópica da coluna que já formou mais de 100 médicos.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a endoscopia de coluna no rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde, o que garante acesso ao procedimento sem custo adicional para o beneficiário.
Encontrar um especialista em cirurgia endoscópica de coluna com volume de procedimentos adequado e vínculo com sociedades médicas reconhecidas é o passo que define a qualidade do resultado.
Sinais de alerta que o paciente do interior precisa reconhecer
“O corpo avisa antes que o problema se agrave. Existem sinais que indicam que a dor na coluna deixou de ser uma questão muscular e passou a envolver estruturas mais profundas. Dor que irradia para a perna abaixo do joelho ou para o braço até a mão é um desses sinais. Formigamento ou dormência que persistem por dias, mesmo em repouso, é outro”, ressalta Dr. Aurélio Arantes, médico ortopedista de coluna em Goiânia.
Perda de força para levantar o pé ao caminhar, dificuldade para segurar objetos que antes eram leves, e qualquer alteração no controle da bexiga ou do intestino são alertas de que o nervo está sendo comprimido e que a avaliação especializada não pode mais esperar.
O trabalhador rural de Lagoa Formosa que sente a perna adormecer ao fim do dia na lavoura, o caminhoneiro de Presidente Olegário que não consegue mais sentar por mais de uma hora sem parar, a auxiliar administrativa de Patos de Minas que trava a lombar toda vez que se levanta da cadeira: nenhum desses quadros é “coisa da idade” que vai passar sozinha. São sinais de que os discos da coluna estão pedindo atenção.
O que fazer antes de esperar a dor piorar
Quem tem mais de 40 anos e sente dor na coluna com frequência precisa, no mínimo, fazer uma avaliação clínica completa. A ressonância magnética da coluna é o exame padrão para diagnosticar o estado dos discos intervertebrais e pode ser solicitada pelo clínico geral ou pelo ortopedista.
Se o resultado mostrar degeneração significativa, o passo seguinte é procurar um cirurgião de coluna para uma segunda avaliação. Isso não significa operar. Significa ter clareza sobre o estágio da doença, sobre quais tratamentos conservadores ainda podem ser tentados e sobre qual é o limite a partir do qual a cirurgia passa a ser a opção com melhor relação entre risco e benefício.
Verificar a formação do profissional, confirmar o registro junto à SBOT e à Sociedade Brasileira de Coluna, perguntar sobre o volume de cirurgias realizadas e checar a cobertura do plano de saúde são cuidados que fazem diferença.
O paciente que organiza esse processo com antecedência ganha tempo. E, quando o assunto é compressão nervosa na coluna, tempo é o recurso que o corpo menos tem para desperdiçar.











