O poder da comunicação

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Cansou-se dizer que a linguagem é um grosseiro cobertor da verdade. Não tenho dúvidas quanto a isso.

Foto: Divulgação
O grande drama humano esteve em comunicar-se. Os desentendimentos, a expressão errônea do desejo que efetivamente nos impulsiona, o perdão não dado malgrado o coração, cerceado pela pronúncia, serviu à nossa infelicidade, porque é mais feliz quem perdoa do que quem recebe o perdão. O regime político que gostaríamos de ter e fica represado em nosso pensamento. A nefanda demagogia, pilar de quase todos os governos contemporâneos. 
A humanidade e cada povo criou com extrema dificuldade e embaraços seus símbolos de comunicação; construiu regras que têm um férreo sentido lógico, mas são chicoteadas todos os dias, principalmente sob a irresponsabilidade de muitos que se servem das redes sociais. Falar errado não é problema nenhum, dizem esses verdugos do vernáculo. É. Não raro imprime outro sentido ao pensamento. E provocam, àqueles que amam sua língua, arrepios, um incômodo que induz nosso afastamento do interlocutor.
Uma das expressões mais deturpadas, no curso da história, foi o de aristocracia. Não é um regime de governar, mas de viver, por vezes no comando da coisa pública. Tem origem no grego “aristokrateia”, no qual está embutido, sim, o governo. O “governo dos melhores”, que pode, ou não, descambar para a oligarquia, em que prevalecem os interesses privados, o mesmo que plutocracia, o governo em favor dos mais ricos.
Na verdade, o governo deve direcionar-se em favor dos mais pobres. Os mais ricos se autotutelam e, geralmente, devem ser contidos em sua voracidade de tirar o sangue e muito mais dos mais pobres. E a aristocracia pode fazer isso. Seu nome é democracia.
Aristocracia é mais um modo de vida. O falar em bom tom, baixo. O caminhar ereto e digno, porque nossa honestidade o autoriza. O modo de solucionar de modo respeitoso e inteligente os conflitos inevitáveis. A deferência a todas as pessoas, segundo o ditame de Kant, vê-las, todas, como fins em si, jamais como meios para somente auxiliá-los em sua vida. Aceitar os reveses com todas as forças possíveis. Sei que, nos casos extremos, no luto, principalmente no luto por um acontecimento sem previsão e lógica, não se pode ser impassível. 
Mas a falta de impassibilidade não desnatureza a mulher e o homem aristocratas. O aristocrata pode vestir-se bem. Ou a personalidade de um poeta, um romancista ou cientista se impõe por si, independentemente das vestes. Muitos dariam a vida para falar por alguns minutos com o velho Tólstoi, no alto de um morro, barbas longas e vestimenta de mujique.
Aristocratas são os cidadãos caracterizados pelo prestígio social, por herança de famílias cultas, pelo renome oriundo de determinadas áreas científicas, religiosas, artísticas etc. Repudio a expressão aristocracia burguesa ou aristocracia proletária, porque seus atores não são necessariamente aristocratas. Em geral, muito pelo contrário.

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Déborah Santos
Triângulo Notícias
04/04/2017

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