No Rio, mulheres debatem democracia na produção cultural

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 Tomaz Silva/Agência Brasil)

 Museu de Arte do RioTomaz Silva/Agência Brasil

O papel das mulheres na produção da democracia cultural é tema de debate e intervenção artística hoje (4), no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, região portuária do Rio de Janeiro. O debate integra o projeto MAR à Tona, que discute e promove a diversidade das culturas urbanas na cidade.

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As convidadas são a ativista cultural Aline Pereira, a bailarina fundadora do Grupo Corpo Denise Stutz e a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Giovana Xavier, com mediação da historiadora Bruna Camargos. Após o debate, teve início a Batalha das Musas, um encontro com duelo de rimas improvisadas sobre a mulher. Participam oito mulheres, entre poetas, grafiteiras, DJs, dançarinas, atrizes e performers.

Uma das curadoras do evento, Bruna Camargo disse que foram convidadas mulheres que estão na linha de frente do pensamento e da produção artística no país. “Queremos discutir a ideia de democratização e democracia, não estamos pensando só no acesso, mas na produção mesmo, ter as mulheres na linha de frente do pensamento como produtoras, revolucionando esse campo da linguagem artística também. Os nomes que compõe a mesa foram pensadas para provocar a plateia, com mulheres que perceberam as ausências, elaboraram o discurso e partiram para a prática”.

A curadora do encontro, Aline Pereira, ressaltou que a palavra musa, muitas vezes usadas apenas para exaltar a beleza feminina em ambientes e eventos masculinos, tem um significado epistemológico mais profundo e foi reapropriado pelo movimento feminista e de arte urbana, como o movimento hip hop.

“O termo foi pensado pelo caráter do templo das musas ser um museu, na parte epistemológica mesmo, da raiz da palavra, ser uma inspiração, ligada à palavra música e o museu ser o templo delas, das musas inspiradoras dos artistas, músicos.”

Para ela, o machismo estrutural da sociedade também está muito presente na cultura hip hop e a Batalha das Musas surge como alternativa para o problema da falta de espaço para as mulheres nas rodas de rima, ambientes que têm o caráter de resistência cultural de populações excluídas mas que não estão livres do caráter machista e misógino.

“Elas são discriminadas nas batalhas de rima, os homens pegam na autoestima e usam misoginia para desqualificar quando tem uma mulher no meio, falam que ela é feia, que tem o cabelo feio, tem o corpo feio, fede. E faz parte do hip hop a questão dos homens e mulheres se arrumarem, a gente gosta de estar se sentindo bem, o desenvolvimento da autoestima faz parte da cultura hip hop. Daí trabalharmos a questão da musa, para quebrar isso também. Porque não podemos ser musas, sendo belas, e expressando a nossa verdade no mundo, e não a verdade alheia?”, questionou Aline.

Esta é quarta edição do projeto MAR à Tona, que começou em julho, com um debate sobre grafite, no Morro da Providência. Em agosto, o tema foi o baile funk e, em setembro, os possíveis usos da cidade, debatendo o assunto com refugiados e arquitetos. “Temos o movimento de trazer a rua para dentro do museu e também o de levar o museu para a rua”, disse Bruna Camargo.

O encerramento será no dia 2 de dezembro, quando serão promovidas 15 atividades culturais, ocupando o todo o espaço do museu e o entorno.


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Fonte: Agência Brasil

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