Júnior Gaya: família apresenta argumentos e pede Justiça durante manifestação

O principal argumento, dos familiares, é que os militares provocaram Júnior até ao ponto que ele desacatou. Polícia Militar aponta que rapaz resistiu a prisão.
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Patos de Minas – Os familiares e amigos de Sérgio dos Reis Gaya, conhecido como Júnior, fizeram um protesto em frente a sede do Ministério Público na tarde deste sábado (20/11). O jovem de 19 anos morreu na madrugada da última terça-feira (16/11) em uma abordagem policial. A Polícia Militar alega que o rapaz desacatou e resistiu a prisão. Já os familiares citam excessos, abuso de autoridade e falta de preparo dos militares.

Um dos organizadores da manifestação e primo do jovem, Bruno Costa, se apresentou como porta-voz e elencou os argumentos da família. Confira o resumo, com base na entrevista:

O motivo da abordagem seria o fato de Júnior Gaya estar empurrando uma motocicleta, em atitude suspeita. Por ser inabilitado e estar embriagado, ele desceu da moto e empurrou até em casa. A abordagem foi feita, segundo a família, após a entrada de Júnior na residência.

A família reconheceu algumas informações também narradas pela Polícia Militar:

– Houve processo de verbalização por parte da PM para controlar a situação, porém sem efeito;

– Foi usado força física para conter todos os moradores da casa, mas sem sucesso;

– Foi usado armas não letais, spray de pimenta e arma de choque, para contenção.

Na sequência, destacou alguns detalhes, que na visão dele, representam abuso de autoridade:

– O portão da residência tinha uma abertura que permitia a visualização da placa da motocicleta. Os PMs tinham condições de consultar a placa e verificar que o veículo era regular;

–  A Polícia Militar usou de recursos para provocar a ira e a revolta de Júnior Gaya. “No processo de verbalização havia policiais dançando na rua afim de provar. Os policiais desligaram a energia da casa, dificultando o processo de verbalização. Ao invés de trazer calma, eles fizeram o contrário”.

– Através do estimulo da própria PM, Júnior Gaya desacatou as autoridades, o que motivou a entrada na casa;

– Durante a contenção da família houve truculência. “Tinha uma criança de sete anos que teve que ser trancada no banheiro para que não presenciasse essa ação”;

–  Júnior tentou fugir, mas ao ouvir os gritos da mãe retornou para socorrê-la;

– A PM efetuou um disparo de arma de choque contra Júnior e a mãe o abraçou;

–  Júnior não reagiu após o choque, tanto que o intervalo até o tiro fatal foi pequeno.

Assista a íntegra da entrevista:

O advogado, Guilherme Prados Lima, se disponibilizou voluntariamente para atuar pela família. Segundo ele, na segunda-feira (22) será protocolado uma notícia-crime contra os policiais que participaram da ação.

Durante o protesto, os familiares e amigos, emocionados, cantaram a música Como Zaqueu, de Regis Danese. O pai de Júnior, Sérgio dos Reis Gaya, afirmou que não quer ninguém faça “justiça com as próprias mãos” e disse que acredita no Ministério Público.

Assista também:

– Vídeo completo da cobertura da manifestação, com entrevista do pai

– Mãe relata últimos momentos do filho

 

O que diz a Polícia Militar?

O boletim de ocorrência indica que Sérgio dos Reis Gaya Júnior estava empurrando uma motocicleta no Bairro Alto da Serra. Dois PMs deram ordem de parada, contudo ele teria desobedecido.

O rapaz teria tirado a camisa, se apresentado como lutador e partido para cima dos militares. Na sequência, outras pessoas saíram da casa e passaram a desacatar a equipe.

Instantes depois, todos se trancaram na residência, tendo os PMs tentado negociar. Sem sucesso, o portão foi arrombado e a equipe entrou no imóvel.

Ainda segundo a ocorrência, foram utilizados spray de pimenta e arma de choque, porém Sérgio teria continuado a resistir, inclusive dando uma “voadora” (pulo combinado com um chute). Neste momento, um dos militares efetuou um disparo que atingiu o peito de Sérgio. Ele foi socorrido na viatura até o Hospital Regional, passou por cirurgia, mas faleceu.

Dois adolescentes, irmão e cunhado de Sérgio, foram apreendidos por desacato e resistência. A motocicleta, que motivou a abordagem, estava regular. O policial militar que efetuou o disparo foi preso e encaminhado para a sede do batalhão. O caso será apurado e julgado pela Justiça Militar de Minas Gerais.

🔔 ATIVAR NOTIFICAÇÕES

QUAL SUA OPINIÃO? COMENTE!

Os comentários não representam a opinião do Patos Notícias. A responsabilidade pelos comentários é dos respectivos autores.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NEWSLETTER

REPORTAR ERRO

Sua privacidade é muito importante pra nós! Usamos cookies, rastreadores, para exibir anúncios e conteúdos com base em suas preferências. Os cookies não permitem acesso a informações particulares, como nome, endereço, etc. Conheça nossa política de privacidade e nossos termos de uso.