Interferência do 5G pode levar ao fim das antenas parabólicas

22 milhões de brasileiros usam a antena parabólica de banda C (telada) para assistir tv. Solução seria migração para a banda Ku.
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Interferência do 5G pode levar ao fim das antenas parabólicas
Foto: Reprodução (Pixabay)

A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) apresentou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) uma proposta formal para o futuro uso da faixa 3,5 GHz. Atualmente a frequência é usada para a transmissão de canais abertos de televisão pela banda C, recebida nas antenas parabólicas domésticas.

A frequência também é usada profissionalmente pelas emissoras de TV para os chamados links. No entanto, a faixa deverá ser repassada para a nova tecnologia padrão 5G de transmissão de dados.

O leilão do 5G está previsto para 2020, apesar de ainda não estar claro se será possível a coexistência de utilização na mesma faixa de frequência, sem que, por exemplo, o 5G interfira na recepção dos canais nas antenas domésticas de banda C, usadas em aproximadamente 22 milhões de domicílios brasileiros.

Testes feitos pela Anatel mostraram que para diminuir a interferência, haveria necessidade de instalação de filtros e novos receptores nas parabólicas domésticas. No entanto, a viabilidade e efetividade dessa alteração ainda é incerta.

A proposta da Abratel, entidade que tem entre as associadas a Rede Record e a Rede TV!, é migrar a radiodifusão da banda C para a banda Ku, e utilizar recursos obtidos com o leilão do 5G para a compra e distribuição de kits de banda Ku para a população de baixa renda, que faz uso das parabólicas de banda C.

“O serviço só tem hoje 22 milhões de receptores nos domicílios por conta do custo do equipamento. A gente está falando de LNB [receptor] que custa R$ 20. O receptor melhorado [de banda C, com filtro para diminuir a interferência do 5G], ainda não foi ofertado, mas a expectativa de preço dele é da ordem de R$ 160. E ele não resolveu o problema [de interferência]”, disse hoje (27) o representante da Abratel, Wender Souza, em evento que debateu a nova tecnologia 5G no Congresso da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), na capital paulista.

Segundo o superintendente da Anatel, Vinícius Oliveira Caram Guimarães, a agência ainda não tem uma posição fechada se o mais adequado seria a migração da radiodifusão da banda C para a banda Ku, ou a coexistência do 5G com a radiodifusão na banda C.

“Se o setor convergir para uma solução definitiva, ainda que seja no médio prazo, única, tendo a Abratel, a Abert [Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão], todos os envolvidos acordados em migrar os serviços [da banda C para a banda Ku], uma solução casada, orquestrada, seria o ideal para as redes móveis quanto para os radiodifusores”, disse Guimarães.

De acordo com Vicente Bandeira de Aquino, membro do Conselho Diretor da Anatel, todas as hipóteses para a solução do uso da frequência 3,5Ghz pelo 5G estão sendo discutidas, mas a proposta levada para as consultas públicas será a de convivência entre o 5G e as parabólicas domésticas.

“Esse tipo de interferência, o único lugar no mundo [em] que existe é no Brasil. São assuntos que temos que maturar para chegar a denominadores comuns. Nós vamos, em pouco tempo, chegar a essa solução. Nosso edital [para o leilão do 5G] vai a consulta pública com essa previsão, de uma proposição de convivência entre o 5G e as TVRO [parabólicas domésticas]”, informou.

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