Hospitais de campanha são seguros?

Veja as recomendações a serem seguidas visando a segurança dos pacientes e profissionais de saúde.
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Diante da construção emergencial de hospitais de campanha em todo o país, a ONA (Organização Nacional de Acreditação) salienta a importância de adoção de protocolos e treinamentos que minimizem riscos a pacientes e profissionais de saúde. Os hospitais de campanha têm sido construídos em estádios de futebol, laboratórios, quadras esportivas, entre outros locais alternativos, para suprir a demanda por leitos de baixa e média complexidade.

Péricles Góes da Cruz, superintendente técnico da ONA, explica que ,quando um hospital regular é construído, passa por uma série de etapas desde a adequação de engenharia até a questão de segurança em seus processos. No caso dos hospitais de campanha, eles são adaptados e preparados em um curto período, exigindo cuidados especiais com a implementação e respeito a protocolos claros e eficazes.

- Continua depois da publicidade -

Veja os principais pontos de atenção:

Escolha do local

Fundamentalmente há necessidade de espaço livre, por isso centros de convenções e estádios de futebol têm sido escolhidos. É preciso que o local seja amplo e permita a eficácia no planejamento da arquitetura hospitalar de emergência.

Triagem

Com relação ao fluxo de triagem, Cruz reforça que é muito importante que, nestes locais, fiquem apenas as pessoas comprovadamente acometidas pelo coronavírus, evitando assim o agravamento de casos com a contaminação cruzada. Para que isso seja respeitado, o recomendado é que os hospitais de campanha recebam apenas pacientes encaminhados de outras unidades, após a comprovação da infecção.

Circulação do ar

Como os hospitais de campanha são edificados no interior de grandes obras, o ideal é que as estruturas de UTI montadas emergencialmente não possuam teto, permitindo a circulação de ar. Os novos postos são como stands vistos em feiras, desenvolvidos com materiais de fácil higienização, mantidos divisórias.

A única cobertura fica para o próprio pavimento original, o que permite um pé direito bastante alto, facilitando a circulação de ar. Alguns leitos hospitalares possuem ar condicionado individual.

Garantir o registro e fluxo correto de informações do paciente

Seguir à risca os protocolos e determinações testados e comprovados só facilitam todas as etapas do processo.

A cada troca de turnos de profissionais, é necessário repassar as informações de cada pessoa hospitalizada. Com a padronização das informações passadas nessa “passagem de bastão”, torna-se mais fácil e eficiente o processo, sem deixar de lado nenhuma informação importante para o acompanhamento da saúde do paciente.

Disponibilização de EPIs

Em relação aos profissionais, existe a necessidade do hospital disponibilizar Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), como luvas, capotes e  máscaras para minimizar os riscos  para a saúde do trabalhador. A recomendação é a mesma que existe para os hospitais tradicionais.

Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH)

Cruz defende a necessidade de que a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), obrigatória em qualquer hospital do país, seja formada por médicos, enfermeiros e técnicos. Ter uma CCIH multidisciplinar, que capacite os demais profissionais, ajuda a para reduzir o risco de contaminação de pacientes e de quem trabalha na linha de frente. “Todos devem estar capacitados para atuar nestas novas condições, que algumas vezes são desfavoráveis”, frisa.

Manutenção dos equipamentos

Os equipamento estão fora de um ambiente hospitalar convencional, mas isso não exige novas ações de manutenção além da que acontecem regularmente. É importante destacar, porém, que essas manutenções devem continuar ocorrendo, até para garantir que o pleno funcionamento dos aparelhos.

Higienização dos ambientes

No tocante à higienização dos ambientes, ela deve ser tão rigorosa quanto em hospitais comuns ou, em alguns casos mais intensa, visto que os ambientes não são completamente controlados. Os materiais de confecção precisam ser facilmente higienizáveis e, ao mesmo tempo, resistentes para suportar o período de utilização.

Formação do time

A rotatividade, o pouco tempo para o preparo, o estresse e o risco constante da própria infecção pela doença passam a ser pontos desafiadores na montagem da equipe que atua nos hospitais de campanha. São necessários protocolos, regras e determinações práticas para que todos possam se entender tecnicamente. Além disso, deve-se ficar atento à saúde física e também mental dos times.

Sobre a ONA

A Organização Nacional de Acreditação (ONA – www.ona.org.br) é responsável pelo desenvolvimento e gestão dos padrões brasileiros de qualidade e segurança em saúde. Hoje mais de 80% das instituições acreditadas no Brasil adotam o padrão ONA. Além de referência nacional, os padrões ONA são reconhecidos no exterior. A ONA  é membro da International Society for Quality in Health Care (ISQua), atuando ao lado de instituições que promovem a qualidade de saúde em países como Estados Unidos, Reino Unido, França e Canadá.

QUAL SUA OPINIÃO ? COMENTE!

Os comentários não refletem a opinião do portal. Não nos responsabilizamos por eles e em caso de descontentamento use a opção “Denunciar ao Facebook”. Você está sujeito aos nossos Termos de Uso.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

- Continua depois da publicidade -