Hora da maturidade como cidadão, e por que não, como consumidor de energia elétrica

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Em diversos países do nosso hemisfério, governos vêm fazendo, com as tarifas e preços regulados de energia elétrica e combustíveis, um verdadeiro estrago para os cidadãos, acionistas e toda a cadeia setorial que circunda esse tão importante setor.

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Foto: Divulgação

 A África do Sul teve seu rating rebaixado e classificado como “junk” no início do mês de abril. Além da leitura de que o atual governo terá dificuldades em promover reformas estruturais, o suporte econômico dado à estatal de energia ESKOM, foi destacado como relevante pelo mercado. Na vizinha Argentina, que assim como o Brasil, viveu recentemente um período de 12 anos de populismo energético, com tarifas de gás e eletricidade praticamente congelados, os resultados também foram desastrosos.
As consequências são usualmente as mesmas: declínio dos investimentos, perda de confiabilidade e aumento da dependência do caixa do governo para manter o setor energético moribundo, mas ainda vivo. O futuro fica comprometido e pode ser definido pelo binômio: investimento zero e recursos finitos do tesouro. Nenhum governo consegue manter subsídios indefinidamente e ninguém do setor privado investe para sofrer depois congelamento de preços, mudanças nas regras do jogo e por fim o calote ou até a retomada das concessões a preço vil.
No caso argentino, a situação chega a ser mais grave do que o que enfrentamos aqui, mesmo considerando os efeitos que ainda sentimos como ressaca do gestão anterior. Há algumas décadas a sociedade argentina foi acostumada ao modelo de gestão dos salvadores da pátria, aqueles que sacrificam diariamente o futuro no altar do presente. Isso é pernicioso pela crença que se consolida na cabeça dos consumidores no abastecimento barato e disponibilidade ilimitada.
A questão que se coloca é: depois de uma escolha nas urnas por outro modelo de governo, o realismo tarifário que se apresenta, se confronta diretamente com o comportamento de gerações que cresceram estimuladas a consumir energia barata, livremente, sem qualquer restrição. No Brasil, sem necessariamente forçar qualquer paralelo, foram quase 2 anos onde o risco de racionamento era iminente, e o sinal e discurso governamental dado para a sociedade era, “baixamos o preço da energia elétrica” , “não existe nenhum risco de desabastecimento”, e “consumam à vontade”. O preço spot da energia para transações entre grandes indústrias estava no seu teto, e o discurso era indutor de consumo sem limites, o que usualmente promove até desperdício.
Por outro lado, já no fim do século vinte, vários países iniciavam forte campanha de comunicação e modelagem na formação de preços de energia, para restringir e adequar o consumo de energia por várias razões, entre outras, escassez e meio-ambiente. Somos atrasados nesse sentido? Melhor olhar pra frente. É recente o “renascer” da cidadania por aqui; a ida às ruas de forma livre e independente para protestar contra a corrupção e tantas outras mazelas. Esse ainda pequeno, mas importante passo do brasileiro em direção a se sentir responsável (pelo voto e os seus efeitos), pode representar um ativo importante para o nosso país.
Pode ser um embrião para que possamos também erradicar hábitos e culturas de desperdício. Pode facilitar o entendimento de que em um ano como o corrente (2017), em que o período chuvoso foi idêntico ao ano de 2001 (ano do racionamento), é necessário o acionamento imediato do parque térmico (hoje) existente. E que esse conforto, e a eliminação do risco do “apagão” tem um custo, traduzido no atual regramento das bandeiras tarifárias. Custa mais caro sim. Esse novo cidadão em formação, pode usar a energia elétrica, mas sabendo que custará mais caro provavelmente até que o próximo período chuvoso promova uma reversão desse quadro. Como alternativa, ele pode economizar. Seja qual for a sua decisão, ela garantirá a saúde econômica de toda a cadeia setorial, para que tanto o cidadão como o consumidor possam contar com os investimentos necessários aos serviços de qualidade e o abastecimento seguro de qualquer fonte energética do país.
Paulo Mayon
22/04/2017

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