Governo de Minas Gerais reforça apoio ao crescimento da agroecologia

Compartilhe

COMPARTILHE NAS REDES SOCIAIS!
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram

Numa perfeita sintonia com o que exige a vida moderna, na busca por alimentos mais saudáveis, o Governo do Estado, por meio da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater MG), desenvolve e estimula o uso de técnicas da agroecologia.

Essa prática, que não utiliza insumos químicos na produção de alimentos, cresce em Minas Gerais impulsionada pelo apoio governamental. Além da atuação da Epamig e da Emater-MG, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) é o órgão responsável pela certificação dos produtos agroecológicos.  

Na Epamig, o trabalho em agroecologia tem o objetivo de expandir esse conceito considerado ideal para o desenvolvimento rural sustentável, tanto nos aspectos ambiental quanto social. O programa estadual de pesquisa em agroecologia já possui oito linhas de estudos e 19 especialistas envolvidos.

Ao todo, a empresa mineira possui 12 programas de pesquisa, sendo a agroecologia um dos que mais cresceu nos últimos anos, tamanho o interesse da sociedade e, especialmente, dos pesquisadores dessa ciência.

“O princípio envolve todos os que estão nessa cadeia, sempre pensando no agricultor e no meio ambiente. Geramos conhecimento e tecnologias práticas”, ressalta a pesquisadora Madelaine Venzon, coordenadora dos estudos.

Com formação acadêmica no Brasil e no exterior e baseada na unidade da Epamig em Viçosa (Território Caparaó), Madelaine diz que as pesquisas sobre a agroecologia são desenvolvidas a partir da demanda e da necessidade do agricultor, que interage com o pesquisador e o extensionista da Emater-MG. 

Diferentemente dos pesquisadores que passam grande parte do tempo nos laboratórios, os extensionistas têm o papel de acompanhar o dia a dia da produção agroecológica, que é um dos oito temas da agenda estratégica da Emater MG.

Segundo o coordenador estadual deste trabalho na Emater-MG, José Luís Meirelles Ferreira, a ação vem sendo realizada, com os agricultores, na transição da agricultura convencional para a agroecológica, visando à segurança alimentar. “Os técnicos vão se adaptando ao conceito, alguns têm perfis mais avançados e outros vão seguindo o caminho”, explica.

Ferreira ressalta que o trabalho tem caráter de transversalidade, que vai se espalhando e tem o objetivo de promover o aumento da qualidade de vida do cidadão com produtos sem aditivos químicos.

Ao contrário da pesquisa específica, o funcionário da Emater-MG trabalha com propriedades que desenvolvem todos os tipos de agricultura. Porém, a empresa conta com oito funcionários concluindo mestrado em Agroecologia e outros 70 pós-graduados “lato sensu” em Agroecologia pela  Universidade Federal de Lavras (Ufla).

Agroecológico x orgânico

A coordenadora de pesquisa da Epamig, Madelaine Venzon, explica que a agroecologia em Minas Gerais segue uma tendência nacional e mundial de crescimento. Ela cita o volume de trabalhos inscritos, que chegam a 2.500, para o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia e o X Congresso Brasileiro de Agroecologia, que ocorrem em Brasília, de 12 a 15 de setembro.

O número recorde demonstra a preocupação de avançar em pesquisas para aplicar na produção, conservando a biodiversidade e os recursos naturais.

As semelhanças entre o produto agroecológico e o orgânico são muitas, principalmente no que se refere ao modo de produção sem o uso de agrotóxicos. A legislação do orgânico é utilizada para nortear a produção do alimento agroecológico, que tem um viés mais social, buscando a harmonia constante com o produtor e o resgate da sua história e das suas práticas, enquanto o orgânico, muitas vezes, ganha um apelo mais comercial.

Na agroecologia, a premissa é a diversidade de culturas, em oposição à monocultura, utilizando-se plantas que fornecem vários serviços ecológicos, como aquelas que aumentam a polinização, atraem inimigos naturais, melhoram as condições do solo e são comestíveis e/ou medicinais.

Um exemplo disso é a pesquisa desenvolvida com o ingá na produção cafeeira. O fruto se tornou um grande aliado, diminuindo a incidência de pragas, atraindo os inimigos naturais.

Já o produto orgânico tem métodos de produção parecidos com os do agroecológico. José Luís Ferreira, da Emater-MG diz que a legislação é bastante criteriosa para se chegar à certificação, que tem uma série de condicionantes, como qualidade, onde e por quem ele é produzido e em que condições.

“Além da produção são trabalhados os aspectos social e ambiental para que o produto seja reconhecido como orgânico. É um mercado cobiçado e queremos bases bem sólidas para ele. Toda produção de hoje é absorvida, por isso a tendência é de crescimento”, assegura Ferreira.

Segundo o coordenador estadual da Emater-MG, a agroecologia tem sido uma construção coletiva, inclusive ouvindo o consumidor, que é a peça-chave no processo desenvolvimento da atividade. Ele reforça que, ao adquirir o produto orgânico, o cidadão está validando e financiando essa prática.

O trabalho da Emater-MG com agroecologia se desenvolve em praticamente em todo o estado. Entretanto, existem alguns mais destacados em locais como a região de Pouso Alegre, no Território Sul, em parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas; na região de Juiz de Fora (Bocaina de Minas, no Território Mata); na região de Sete Lagoas (Capim Branco); e na Região Metropolitana de Belo Horizonte (ambos no Território Metropolitano).

De acordo com José Luís Ferreira há um trabalho significativo no Território Metropolitano com agricultura urbana e periurbana (área periférica que se aproxima da zona rural), que reúne 3.418 agricultores familiares. Alguns têm base agroecológica, trabalham com hortaliças e frutas e são certificados pelo IMA parceiro na tarefa.

“A agroecologia está se espalhando e a ideia é a contaminação de todos. É um processo de transição que tem muito respaldo e retorno. A qualidade do alimento é mais importante do que a a quantidade”, salienta Ferreira.

Da pesquisa, extensão à certificação

A agricultora Daniela Leonel diz ter realizado um sonho há cinco anos, quando iniciou, ao lado do marido, o plantio de hortaliças dentro do conceito agroecológico. Com uma propriedade de 2 hectares em Caeté (Território Metropolitano), distante 35 km de Belo Horizonte, ela tem uma horta de 3 mil metros quadrados, área na qual consegue produzir 40 variedades de legumes e verduras.

Desde que iniciou sua atividade na agricultura, Daniela vem recebendo apoio do Estado, por meio da Emater-MG, que faz a extensão a partir das pesquisas realizadas pela Epamig.  Há, três anos sua propriedade conseguiu a certificação do IMA como produtora de orgânico.

Daniela e o marido recebem a extensionista da Emater-MG na propriedade de Caeté – Crédito: Divulgação/Emater-MG

“A Emater, desde o início, vem nos dando apoio e direção para compreendermos a agroecologia. Sempre nos motivou e nos trouxe muita informação, inclusive para conquistarmos a certificação junto ao IMA”, relata Daniela, que tem a capital mineira como principal destino dos seus produtos.

A produtora estabeleceu uma relação direta com o consumidor em feiras e também na entrega em domicílio, que realiza duas vezes por semana em rotas diferentes. Os interessados nesse serviço se cadastram no site www.emporiumdaroca.com.br e escolhem os produtos orgânicos. O negócio tem dado muito certo e a expectativa é de ampliar a área plantada e a logística.

Para o também horticultor Luciano Poné Moreira, que trabalha em Capim Branco (Território Metropolitano), a 45 km de Belo Horizonte, o trabalho iniciado há um ano e três meses apresenta resultados além das expectativas.

Casado e pai de dois filhos, Luciano, que já acumulava experiência no plantio de orgânicos como empregado, resolveu ter o seu próprio negócio.  Ganhou o apoio da mulher e do filho de 20 anos para uma rotina pesada, porém, gratificante.

O produtor acreditou no sistema agroecológico por tudo o que ele traz de vantagens, ao mesmo tempo em que viu a necessidade de se diferenciar da maioria. A produção de Moreira atende a estabelecimentos de Capim Branco, Matozinhos, Pedro Leopoldo e chega a Belo Horizonte por meio de uma feira no centro da cidade.

“Eu tenho toda a atenção da Emater-MG, desde que comecei e, com essa ajuda e orientação, já estou com tudo pronto para receber a visita dos técnicos do IMA e concluir o processo da certificação. É a última etapa”, acredita.

Na Emater-MG as parcerias também foram estabelecidas com Epamig, Embrapa, IMA, universidades e institutos federais, Articulação Mineira de Agroecologia (AMA), Núcleos de Estudos em Agroecologia (Neas) e Rede Urbana de Agroecologia Metropolitana (RUA).

Certificação do IMA é garantia de qualidade

A certificação é uma das formas de garantir a qualidade orgânica de um produto. O Instituto Mineiro de Agropecuária é referendado pela Coordenação Geral de Acreditação (Cgcre) do Inmetro e credenciado no Ministério da Agricultura como OAC para avaliar quatro escopos: produção primária vegetal, processamento de produtos de origem vegetal, produção primária animal e processamento de produtos de origem animal. Mais informações: http://www.ima.mg.gov.br/certificacao/organicos ou pelo telefone (31) 3915-8774.

Novas frentes

Na Epamig, a pesquisadora Madelaine Venzon afirma que, entre outros projetos previstos para a agroecologia estão sendo estudadas plantas medicinais e aromáticas, como manjericão, coentro e erva-baleeira, para atrair inimigos naturais e polinizadores. Há também projetos com hortaliças não convencionais e com o café orgânico.

A pesquisadora acredita que, no futuro, não vai ser opção, mas uma necessidade a não utilização de agrotóxico na produção agrícola. Por isso, a pesquisa tem de estar com as soluções para isso.

“Acho que o crescimento da agroecologia é uma realidade e que a tendência é fortalecer ainda mais, porque estamos verificando que a agricultura convencional não é muito sustentável. O volume de inseticida é muito alto e os resultados obtidos não são os esperados, além de todos os problemas associados ao meio ambiente e à toxicidade dos produtos”, afirma Madelaine.

Na Europa, alguns países se destacam na pesquisa e produção agroecológica, como Alemanha, França, Espanha e Holanda. Nos EUA, a região da Califórnia prima pelo desenvolvimento da ciência. No Brasil o movimento social chegou primeiro, ganhou espaço e a ciência também já dá passos importantes, aliados à prática. Na América Latina, em geral, existe um envolvimento crescente e experiências inovadoras.

Madelaine, que é também orientadora na pós-graduação em Entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), revela que é surpreendente o interesse dos pesquisadores no Brasil pela agroecologia nos últimos anos, principalmente, por reunir ciência e prática. Ela acredita que o diferencial se dá pelo fato de o pesquisador trabalhar com algo que pode ser aplicado.

Em Minas Gerais, a Epamig compreendeu a necessidade de investir e firmar parcerias com a Emater-MG, instituições de ensino e pesquisa, como as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG), Viçosa (UFV) e Lavras (Ufla), institutos federais – principalmente os do Norte de Minas – e o Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), ONG viçosense prestes a completar três décadas de tradição no tema.

Linhas de pesquisa consolidadas

Em relação às regiões mineiras onde existem mais trabalhos de pesquisa na agroecologia, destaque para o Território Mata, além de Sete Lagoas, São João del Rei (Vertentes) e o Sul e Norte de Minas.

Informações adicionais: http://www.epamig.br/agroecologia-4/


Problemas em visualizar essa matéria? Clique aqui e confira a íntegra.


Fonte: AGÊNCIA MINAS

QUAL SUA OPINIÃO? COMENTE!

guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
A responsabilidade pelo comentário é totalmente do respectivo autor. Comentários com 15 votos negativos a mais que positivos serão removidos automaticamente. Achou um comentário ofensivo? Clique em "denunciar".

NOTÍCIAS RELACIONADAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NEWSLETTER

REPORTAR ERRO

Sua privacidade é muito importante pra nós! Usamos cookies, rastreadores, para exibir anúncios e conteúdos com base em suas preferências. Os cookies não permitem acesso a informações particulares, como nome, endereço, etc. Conheça nossa política de privacidade e nossos termos de uso.