Fuga de valores predomina em momentos de radicalismo, diz ator

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No momento de polarização na política, em que os ânimos estão permanentemente acirrados, o  ator  Leonardo Miggiorin, de 36 anos, diz que a peça que está em cartaz  “O louco e a camisa” é um alerta necessário. Nela, o ator faz o papel de um filho que a família esconde por ser “o louco”. Porém, a trama mostra que o louco é o sensato, que adverte sobre hipocrisia humana e fuga de valores. O desabafo de Miggiorin é o ponto alto do programa Conversa com Roseann Kennedy, da TV Brasil, que vai ao ar nesta segunda-feira (23), às 21h15

“Não é só a questão cultural que tá difícil, né? O Brasil tá difícil! Parece que a gente tá passando por uma catarse, com essa coisa da purificação. Então vamos tirar a poeira de baixo do tapete,  primeiro olhar para essa poeira e ver como a gente vai limpar isso. Então é um processo longo, de décadas”, afirmou Leonardo Miggiorin, que tem carreira no teatro, no cinema e na TV.

 

 O programa Conversa com Roseann Kennedy da TV Brasil, entrevista o ator, Leonardo Miggiorin

Roseann Kennedy entrevista o atorLeonardo Miggiorin – TV Brasil/Divulgação

 

Em tempos de superexposição nas redes sociais, ele adverte sobre a intolerância.“Eu penso antes de falar, penso antes de postar alguma coisa. Mas acho que todo mundo tem necessidade de ter voz. Então, a rede social hoje preenche uma lacuna.Hoje todo mundo pode falar. Não sei se todo mundo vai ser ouvido, se todo mundo vai ser lido, porque tá todo mundo mais interessado em postar do que ler”, diz.

 

Nos palcos há 24 anos, ficou conhecido ao atuar como o tímido Zezinho, na minisérie “Presença de Anita”. Na entrevista com Roseann Kennedy, ele defende a arte como meio de contestação e crítica. “A minha fala é através da arte. A bandeira que eu levanto é a bandeira humanista, de agregar, não de segregar. Tá na hora de a gente se mexer e fazer um mundo melhor.”

Nascido em Barbacena (MG), Miggiorin é psicólogo de formação, mas foi na arte que se encontrou. Além de atuar, ele pinta e toca teclado e violão. “A psicologia está na minha vida e sempre esteve. Até pelos meus personagens, pelas histórias todas que eu gosto de contar e de estudar”. E complementa: Acho que o que me fascina no mundo são as relações, as pessoas, as emoções, toda a experiência humana. Tanto na arte como na psicologia. Mas, na arte, eu me expresso emocionalmente e extravaso as minhas emoções. Eu transformo a mim mesmo primeiro e, com essa transformação, eu posso vir a transformar alguém”, afirma.

 

Reflexivo, Maggiorin sintetiza o que representa o momento atual, parafraseando o escritor Guimarães Rosa: “O senhor sabe o que é o silêncio? É a gente mesmo demais!”

FONTE: Agência Brasil

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