Feitio da Pamonha é aprovado como patrimônio cultural de Patos de Minas

O Conselho Deliberativo de Patrimônio Histórico e Cultural (Condepahc) reconheceu o processo como pertencente ao patrimônio cultural do município em reunião realizada no último dia 12.
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Foto: Divulgação

A pamonha é uma iguaria feita do milho verde, muito apreciada no Brasil, especialmente no estado de Minas, nas terras do “Sertão das Gerais”, onde fica o município de Patos de Minas. É um alimento de origem nativa (indígena). A palavra surge na língua tupi, pa’muñã, que significa um alimento pegajoso. O Feitio da Pamonha foi incorporado à culinária dos colonos portugueses e escravos africanos ao longo da história.

De acordo com Geenes Alves, diretor de Memória e Patrimônio Cultural (Dimep), a pamonha vai além de uma simples iguaria deixada como herança pelos índios. O ato de fazê-la ganhou importância cultural em nossa sociedade, uma vez que representa um momento de sociabilidade e confraternização entre família e amigos. O Feitio da Pamonha é um saber cultural rico e que identifica o povo patense. No campo ou na cidade, a tradição permanece e se fortalece cada vez mais.

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Foto: Divulgação

Ao trabalho totalmente artesanal de antes foram inseridas práticas e equipamentos técnicos, ora visando facilitar a operação e otimizar o tempo, ora procurando atender o impaciente e crescente mercado consumidor. Nesse novo cenário, vimos com frequência a inserção de máquinas que realizam parte das atividades do processo, como ralar e coar o milho, por exemplo.

Apesar dessas novidades, naturais num mundo em constante transformação, o jeito de fazer pamonha permanece, sobretudo em seu aspecto físico, sabores e misturas tradicionais, salvo pequenos detalhes, como a inclusão da gominha elástica para “amarrio” no empalhamento da massa, assim como também a inclusão de novos sabores, a exemplo do chocolate, para atender exigentes paladares.

Por seu modo de fazer estar profundamente enraizado no cotidiano da comunidade local, por seu notório valor de tradição secular e por ser, reconhecidamente, uma legítima manifestação da cultura imaterial do município, o processo de registro do Feitio da Pamonha, elaborado pela equipe técnica da Dimep, com participação e apoio dos grupos detentores, foi aprovado pelo Condepahc, em sua 246ª reunião, realizada no dia 12 de novembro de 2019, na sede do Museu Municipal – Casa de Olegário Maciel.

Foto: Divulgação

Justa homenagem à pamonha, derivada desse importante e prestigiado cereal de Patos de Minas, o milho, que destaca o município nos cenários estadual e federal, com as seguintes honrarias:

1. Criação da Festa do Milho, em 1956, tornada Festa Nacional do Milho (Fenamilho) em 1965, por meio do Decreto Presidencial n° 56.286;

2. Criação da Comenda Antônio Secundino de São José, em 1991, via Lei nº 10.573 (Decreto de Regulamentação nº 33.473/1992), do governo de Minas Gerais, para homenagear personalidades que contribuem para o desenvolvimento da agropecuária brasileira, celebrada durante a Fenamilho;

3. Instituição do dia 24 de maio, aniversário da cidade de Patos de Minas, como Dia Nacional do Milho, por meio da Lei nº 13.101, em 2015.

O processo de registro será enviado para análise e aprovação do Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). Sendo aprovado, o município passa a ter 6 (seis) bens registrados, quais sejam: municipal (Dimep): Folias de Reis e Feitio da Pamonha; estadual (Iepha): Folias de Reis e Viola e Violeiros; e federal (Iphan): Capoeira e Queijo Artesanal.

Geenes ressalta ainda que, além do reconhecimento, pela sociedade civil e pelo poder público, do significado desse saber cultural para a identidade de Patos de Minas, o registro do Feitio da Pamonha viabiliza significativo aporte financeiro do estado para o município, por meio da Lei de Incentivo ao Patrimônio Cultural (nº 18.030/2009), popularmente conhecida como Lei Robin Hood – ICMS Patrimônio Cultural. A pontuação do município muda de 2 (dois) para 3 (três) pontos, aumentando o repasse do governo estadual para Patos de Minas em aproximadamente R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil) reais por ano, para investimento no patrimônio cultural local.

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