Entidades do comércio defendem o não fechamento em Patos de Minas

Presidentes da Acipatos, da CDL e do SindComércio participaram de entrevista ao vivo no Triângulo Notícias.
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Fotos: Arquivos Pessoais

Representantes de três entidades ligadas ao comércio de Patos de Minas participaram na terça-feira (09/06) de uma live promovida pelo Triângulo Notícias, Agência R2C, Angels e Chroma Gráfica. Na pauta estavam os impactos da pandemia na economia do município.

Participaram da conversa, o presidente da Acipatos (Associação Comercial e Industrial de Patos de Minas), Rafael Carvalho, o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Patos de Minas), Guilherme Correia e o presidente do SindComércio (Sindicato do Comércio Varejista de Patos de Minas), Eduardo Soares.

Um dos assuntos discutidos foi o Minas Consciente. O programa de flexibilização econômica do governo estadual estabelece protocolos para abertura ou não do comércio de acordo com o número de casos de COVID-19 por município. A região noroeste, incluindo Patos de Minas, foi reclassificada como onda verde, que recomenda o funcionamento apenas de serviços essenciais.

O prefeito de Patos de Minas, José Eustáquio, sinalizou que existe a possibilidade do município acatar a recomendação. Na segunda-feira (08/06), ele publicou um novo decreto onde fixou a obrigatoriedade de máscaras e o horário de funcionamento dos lojistas, de 12:30 até 18:30. A determinação de horário é válida até 12 de junho. A expectativa é que um novo decreto seja editado na sexta-feira (12).

Questionados sobre o fechamento do comércio, os presidentes das entidades se posicionaram contra a possível paralisação.

Rafael Carvalho, presidente da Acipatos, destacou:

Se o comércio ficar fechado […] (vai haver) uma crise econômica, muita gente passando fome, muita miséria. Então eu entendo, que não, o comércio não poderia fechar agora. Nós temos que continuar trabalhando, com todas as medidas e tomando todos os cuidados possíveis, fazendo testes no máximo de pessoas possíveis, isolando o grupo de risco, isolando pessoas que deram positivo, mas se o comércio retroceder e fechar neste momento, eu acredito que a perda econômica é tão grande que isso vai afetar muito mais a saúde do patense do que a própria doença. Claro, deixo bem claro, em Patos de Minas temos estrutura e recurso para atender, nós não chegamos a recursar nenhum atendimento, de uma pessoa, de uma doença, por falta de estrutura, nós não temos isso, graças a Deus aqui em Patos todas as pessoas doentes conseguiram ser internadas e isso é muito importante. A gente conseguindo tratar de nossos doentes, eu acredito que o comércio tem que continuar aberto sim. E temos agora também o Hospital de Campanha […] então vamos aumentar o número de leitos, nós vamos ter mais recursos ainda, então eu não acho que agora seja o momento de fechar, acho que temos que tomar cuidado, continuar nos isolando, evitando aglomerações, evitando eventos, não realizando eventos em hipótese nenhuma. Bares que estão funcionando com porta fechada, isso é um absurdo, a prefeitura tem que fiscalizar e a polícia tem que ir lá e fazer alguma coisa e tem que atuar. Então, eu sou totalmente contra quem não está respeitando os decretos, quem não está respeitando o isolamento, mas o comércio que está trabalhando com máscara, usando álcool gel na porta, e que está tomando todas as medidas possíveis desde março. E de março até agora em junho a gente viu que não teve aumento significativo. Porque que o comércio que vai ter que fechar neste momento? Então eu entendo que não. Eu entendo que o prefeito tem que entender, fazer uma análise lógico, que existe um comitê de enfrentamento ao covid. Esse comitê faz esse estudo, eles tem os dados, eles tem que chegar a conclusão de que nós temos estrutura para atender uma pessoa doente, eu acho que a gente tem que continuar, e no momento de não ter estrutura ai fecha total, ninguém sai de casa para nada, nós não podemos deixar ninguém morrer por falta de recurso.

Guilherme Correia, presidente da CDL, também se manifestou contrário ao fechamento:

Meu pensamento é o seguinte, esse caso do noroeste ter passado para a onda verde foram casos isolados. Você pega o seguinte, teve um caso isolado em Serra do Salitre, que teve uma empresa lá com vários casos de contaminação, tivemos outra empresa em Paracatu que foi uma quantidade grande de infectados, tivemos outro problema em Unaí e em Patos não teve nada. Você penalizar, vamos supor o comércio de Patos, devido outras cidades ter causado a mudança para onda verde, eu acho que o comércio de Patos não pode ser afetado por isso não. O comércio de Patos tem que permanecer aberto e mais uma, eu sou a favor do prefeito, do que ele falou semana passada, ele queria flexibilizar o comércio mais ainda, abrir às oito da manhã e ficar aberto até às 18 horas, como era antes, e aos sábados de oito ao meio dia. Então, não sou a favor de fechar hora nenhuma, tá na hora do comerciante trabalhar, tá na hora da gente arregaçar as mangas e dar a volta por cima.

Por fim, o presidente do SindComércio, Eduardo Soares, também se posicionou contra a paralisação do comércio:

Nós também pensamos que não adianta fechar o comércio, só vai piorar a situação de mais pessoas, de mais cidadãos, que não terão mais emprego, não terão mais renda para sua subsistência. O Minas Consciente teve um ponto positivo, porque ele deu parâmetro para o estado como um todo, deu condição para se ter uma base para tomar as decisões, mas nós temos em Minas 853 municípios, então por mais que se queira traçar alguns procedimentos e protocolos para um estado da magnitude e tamanho que é Minas, com tanto espaço territorial e município, não dá para fazer de forma muito rigorosa, basta ver o que o Guilherme disse. Nós tivemos aqui uma piora e um aumento nos casos, mas em função de situações isoladas em acampamentos de empresas, que a gente nem pode julgar se teve ou não teve algum tipo de má conduta ou prevenção naquelas unidades. O fato é que a gente precisava ser ouvido na hora de tomar uma decisão quanto ao rebaixamento, deveria se chamar primeiro a população, os prefeitos desta região, antes de se tomar uma decisão como essa, porque não adianta depois na entrevista falar que Patos é diferente por conta do relevo, mas já foi rebaixado, o impacto disso na tomada de decisões, inclusive decisões judiciais, que estão sendo tomadas em função deste rebaixamento ou não das ondas, por decisões do prefeito, isso as vezes já chega tarde, uma explicação desta por parte do governador. Então foi muito válido esses protocolos, mas as tomadas de decisões de rebaixamento ou ampliação e melhora destas ondas em cada situação deve ser mais debatida com a situação local, com os prefeitos daquela região, com a população daquela região, as Secretarias de Saúde de cada município estão prontas e capacitadas com os números nas mãos para dar sua contribuição nesta tomada de decisão, então não pode vir uma coisa de cima pra baixo, como foi feito na semana passada quando a gente já estava preparando para flexibilizar ainda mais o nosso comércio e outros segmentos possibilitando a abertura, e de repente isso pode ser revisto contra a vontade do prefeito por conta de um entendimento que veio de cima pra baixo dos protocolos do governo do estado. Então a gente precisa melhorar esses critérios na hora de rebaixar e ouvir mais a população local, […], ninguém mais entende do município como aquele cidadão que mora nele […].

A entrevista mencionada por Eduardo foi concedida pelo governador ao Triângulo Notícias na segunda-feira (08). Ele disse que cada prefeito tem autonomia para seguir ou não os protocolos do Minas Consciente.

Assista a seguir o trecho da live no qual os presidentes falam da possibilidade de fechamento do comércio:

Para assistir a entrevista completa, clique aqui

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