
Patos de Minas – A concessão de áreas do Aeroporto Municipal “Pedro Pereira dos Santos” à Associação Clube de Aviação do Alto Paranaíba (ACAAP) provocou polêmica e levantou questionamentos. A medida foi aprovada pela Câmara Municipal, sancionada pelo prefeito Luís Eduardo Falcão e publicada no Diário Oficial em 15 de setembro de 2025, por meio da Lei nº 8.990/2025. Envolvidos na concessão negam qualquer irregularidade no processo.
A lei prevê a cessão, por 35 anos prorrogáveis, de seis hangares já existentes, além de espaços estratégicos:
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6 hangares: totalizando 2.160 m²;
Estacionamento de veículos: 1.800 m²;
Posto de abastecimento e hangar de apoio da ACAAP: 874,58 m²;
Sede administrativa e sala de pilotos: 153,64 m²;
Área para novos hangares e ponto de abastecimento: 60.472,24 m².
Segundo denúncias recebidas pelo Patos Notícias, o valor de mercado das áreas pode variar entre R$ 20 milhões e R$ 33 milhões.
Antes da aprovação da lei, a Prefeitura havia lançado o Pregão Eletrônico nº 71/2025, que previa a concessão onerosa dos espaços para exploração de hangares, mediante pagamento mensal. Poucos dias após sua abertura, o processo foi suspenso. Em seguida, o Executivo encaminhou aos vereadores um projeto de lei, aprovado posteriormente, no qual a concessão deixou de exigir pagamento mensal. A única contrapartida estabelecida é que os investimentos realizados, como construções, sejam incorporados ao patrimônio municipal ao término da concessão, previsto para daqui a 35 anos.
Em justificativa, a administração municipal alegou que o modelo de concessão não era o mais adequado e que o aeroporto exigiria “flexibilidade de gestão”. A Secretaria de Trânsito e Mobilidade apontou risco jurídico e recomendou a adoção de outro instrumento administrativo, como autorização ou permissão de uso.
O Patos Notícias recebeu denúncia anônima apontando que a aprovação da lei teria sido uma “manobra sob medida” para beneficiar a ACAAP.
Proprietários de aeronaves que já utilizavam os hangares disseram ter sido excluídos da concorrência e estudam acionar a Justiça.
O que dizem os envolvidos
ACAAP
Em nota, a associação afirmou que:
a concessão foi respaldada pela lei municipal e aprovada pela Câmara;
investirá cerca de R$ 20 milhões na construção de novos hangares, que serão revertidos ao município ao fim do contrato;
ainda não definiu os critérios de uso dos hangares já existentes;
oferece serviços de abastecimento e atendimento a aeronaves também para o público em geral, e não apenas associados.
Prefeitura
A administração municipal declarou que:
a concessão está amparada pela Lei nº 6.413/2025, aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo;
a ACAAP representa “a maioria dos proprietários de aeronaves” de Patos de Minas, sendo o ente “natural e legítimo” para gerir a estrutura;
os investimentos previstos chegam a R$ 30 milhões;
o procedimento foi acompanhado pelo Ministério Público Federal, garantindo transparência;
o patrimônio permanece público e pode ser retomado em caso de descumprimento contratual.
Câmara Municipal
O Legislativo ressaltou que a aprovação do projeto de lei seguiu todos os trâmites regimentais. Segundo nota oficial, cabe ao Executivo garantir o cumprimento das decisões judiciais e a correta aplicação da norma. A Câmara se comprometeu a exercer seu papel fiscalizador.
Prefeito Luís Eduardo Falcão
Consultado extraoficialmente, o prefeito negou irregularidades e defendeu a medida como essencial para garantir as operações do aeroporto e estimular o desenvolvimento econômico regional.














Onde tem fumaça, tem fogo. Cabe a quem de direito investigar. Se for constatado, isto será uma grande decepção, uma puta sacanagem …
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