Jogos Olímpicos de Inverno: Atleta Brasileiro estreia amanhã e diz que objetiva colocação histórica

O brasileiro é o piloto do bobsled do Brasil e foi o porta-bandeira da delegação brasileira na cerimonia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno 2018.
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Edson Bindilatti representará o Brasil amanhã, domingo (18/02).
Foto: Abelardo Mendes

Os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang já deram início. Alguns atletas do Brasil já competiram e outros ainda vivem a expectativa de estrear na edição de 2018, como por exemplo a equipe brasileira de bobsled.

O bobsleigh, bobsled ou bobsledge é um esporte de inverno no qual equipes de duas ou quatro pessoas realizam, por meio de um trenó, descidas cronometradas em uma pista de gelo sinuosa e estreita especialmente construída para a competição. O trenó é movido pela força da gravidade, e pode atingir velocidades de até 150 km/h.

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Direto de PyeongChang, conversamos com Edson Bindilatti, o piloto do bobsled do Brasil. Ele está em sua quarta Olimpíada de Inverno. O brasileiro foi o porta-bandeira do país, na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang, na Coreia do Sul, na última sexta-feira, 9 de fevereiro.

A equipe brasileira da modalidade é composta pelo piloto Edson Bindilatti e o breakman Edson Martins, que formam a dupla do 2-man e no 4-man eles estarão em ação ao lado de Odirlei Pessoni e Rafael Souza.

O bobsled brasileiro faz sua estreia nos Jogos Olímpicos de Inverno 2018, neste domingo, 18, ás 8h05  pelo 2 man e na próxima sexta-feira, 23, ás 21h30 4man, no Olympic Sliding Centre.

Confira abaixo a entrevista realizada com o piloto Edson Bindilatti. O atleta conversou com a jornalista Fernanda Oliveira do Portal Esporte Net.

Portal Esporte Net: Como foi a preparação da seleção brasileira de bobsled para os Jogos de 2018?

Edson Bindilatti: Nossa preparação para os Jogos Olímpicos de 2018, foi maravilhosa. A nossa Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) nos deu todo suporte durante esses quatro anos. A gente começou o treinamento com algumas treinadoras da Inglaterra, inglesas e ficamos com elas até 2016/2017 e aí nós mudamos de treinador. Hoje nós temos o treinador físico José Moraes, que através do Núcleo de Alto Rendimento Esportivo (NAR) encabeçado pelo Irineu Loturco abriu as portas pra gente, para podermos fazer nossa preparação que antecedia os jogos, aí no Brasil. Então foi a primeira vez que nosso time conseguiu treinar junto e nos evoluímos muito. Tanto é que nós conseguimos classificar o 2-man e 4-man, para os Jogos Olímpicos de 2018.

PEN: Como está todo o clima aí na vila?

EB: O clima aqui na Vila está de muito expectativa, estamos ansiosos. Nós tivemos alguns treinos e que foram muito bons. Fizemos boas descidas e o astral está bem alto, estamos todos motivados.

PEN: Qual é o objetivo da seleção de bobsled?

EB: O nosso objetivo é conseguir uma colocação histórica para o bobsled do Brasil. Claro, que todos nós pensamos em medalha é obvio, se você entrar em uma competição sem pensar em medalha, você já está perdendo. Mas, a gente sabe o quanto é difícil e sabemos que estamos um pouco distantes das medalhas, mas eu acho que se ficarmos entre o Top20, Top 15 e aí, tentar brigar pelo Top 10, para a gente já vai ser um resultado gigantesco e isso vai provar que o trabalho vem sendo bem feito e que o dinheiro, está sendo bem investido. Então, isso é que é o mais importante, fazermos um bom resultado e se ficarmos entre os 20 melhores dos Jogos Olímpicos, pra gente já vai ser um resultado bem histórico para o Brasil.

PEN: E qual a sua expectativa?

EB: A minha expectativa é bem alta, porque nós nos preparamos para esse momento, então estamos chegando na melhor forma física que nós conseguimos. Eu acredito que se conseguirmos fazer um bom push, uma boa pilotagem e estar em um dia iluminado, acho que nós podemos fazer um bom resultado e assustar bastante time do mundo do bobsled.

PEN: Como foi todo o trajeto como porta-bandeira. Qual a sensação de conduzir a bandeira do seu país?

EB: A sensação, o trajeto na verdade, como porta-bandeira, foi imensurável. Acho que é difícil até vim as palavras para falar. Foi uma emoção muito grande, uma responsabilidade enorme, por saber que você está representando milhões de brasileiros em uma Olímpiada. Acho que todo sonho de um atleta é ir para uma olímpiada e você realizar esse sonho de estar em uma olímpiada e ser honrado em levar a bandeira do seu país, acho que não tem preço, acho que isso é a última coisa que eu iria imaginar. Então, é um reconhecimento muito grande do trabalho da gente e faz cada segundo, cada suor, valer a pena. Então, acho que a emoção gigantesca é essa mesma.

PEN: Como foram os treinos oficiais em PyeongChang?

EB: Hoje nós tivemos o último dia de treinos oficiais e foi tudo muito bem. Tivemos um bom desempenho, testamos alguns materiais para a gente poder competir e agora está tudo pronto, tudo certo. Durante os treinos oficiais fizemos um bom tempo, estamos próximos dos melhores times, cerca aí de 3 décimos de diferença, isso é uma diferença mínima, né, comparando com os times que estão aqui. Nós gostamos bastante dos treinos. A pista está bem rápida e é detalhezinho que vai fazer a diferença. Se a gente, errar menos, nos vamos ter um bom resultado e se errarmos bastante, complica um pouquinho, mas eu acho que se eu tiver aquela concentração e acertar na pilotagem, acho que não vai ter problema.

PEN: Como é toda a preparação dos trenós, dos equipamentos até a hora da largada?

EB: Até a largada temos uma preparação grande. A gente sai do ônibus aqui na Vila Olímpica, chega na pista, e vai direto no finish e de lá já vamos direto para o local onde está os trenós. Pegamos eles e normalmente os caminhões que levam os trenós para a pista, já estão esperando. Então a gente pega as lâminas e todas as ferramentas, colocamos no caminhão, em seguida levamos os trenós para a beirada da pista, e colocamos todas as ferramentas nele e deixamos tudo alinhado. Geralmente levamos duas ou três lâminas, para podermos trocar a cada descida. Então uma descida, fazemos com um jogo de lâmina, na outra com outro jogo de lâminas, tentando fazer o mesmo push para termos uma comparação de qual lâmina está rápida no dia, de acordo com a temperatura daqui. Então, é mais ou menos essa a preparação. É um trabalho difícil, pesado, porque o trenó é pesado, temos que virar os trenós, lixar e colocar as lâminas para deixa-las bem lisas, para ter menos atrito com o gelo e alinhar o trenó. Então é uma preparação bem grande, para descer em menos de um minuto. Mas, é bem prazeroso e é esse o processo até a largada.

PEN: Você disputou 4 edições olímpicas, diante de todas que você disputou acredita que está seleção é a que está mais preparada para os Jogos?

EB: Participei de 4 olimpíadas e essa seleção é disparada sim a mais preparada, não digo só fisicamente, mas digo em termo de parceria com a CBDG. A confederação ela deu todo suporte pra gente durante o ciclo olímpico. Até porque em 2014 a gente tinha uma condição técnica muito boa, uma condição física, mas a nossa confederação tinha acabado de passar por algumas mudanças e não tínhamos subsídios financeiros para ter um material adequado. Então, para esse ciclo olímpico a confederação se preparou e conseguiu investir em trenós novos, conhecimento, parcerias, hoje temos parceria com um time americano, que nos ajuda muito na parte técnica, na parte de logística, então isso ajudou muito, nós aprendemos muito com eles e a gente vem aprendendo bastante. Eu acho que isso foi o que evoluiu muito, acho que isso que fez a diferença para essa equipe estar tão bem preparada, como está hoje.

PEN: Qual foi o resultado do bobsled brasileiro nas últimas olimpíadas?

EB: Em 2002 em Salt Lake City- Estados Unidos, nós fomos 27º colocados, na época foi melhor colocação do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno, em 2006 depois veio a Isabel Clark do Snowboard Cross (snowboard) em 9º colocado e nesse mesmo ano, o bobsled do Brasil ficou em 25º, nosso trenó acabou tombando, não foi um bom resultado pra gente, nosso piloto na época teve alguns problemas, a pista era difícil e nós não tivemos a oportunidade de treinar antes.

Nos Jogos Olímpicos da Rússia em 2014, nos terminamos em 28º, mas ai foram saindo alguns times por conta do dopping e fomos descendo a colocação, não sei exatamente em qual terminamos, mas lá na Rússia, nós ficamos na 28ª colocação e agora a nossa expectativa é fazer um resultado melhor, tentar um Top 20, que já é uma evolução muito grande.

Para finalizar a entrevista o atleta ainda completou dizendo que estão lá para dar o melhor e não por brincadeira.

“Só quero deixar claro que não estamos aqui passeando ou brincando, fizemos um trabalho bem sério, bem bonito e concreto. Tanto é que nós fomos bicampeões da Copa América. A gente vem mostrando resultado, evolução, conhecimento do esporte e tudo isso, sem ter patrocínio, isso ai vindo com o dinheiro do Comitê Olímpico através da Lei Piva e a gente vem mostrando resultado. Imagina se nós tivemos patrocínio e investimento, nós poderíamos fazer coisas muito melhores e mais competitivas. Então, estamos na expectativa de fazer um bom trabalho”, comentou o piloto Edson.

Reportagem e Entrevista: Fernanda Oliveira
Fonte: Portal Esporte Net

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