Aumento de taxas do aço nos EUA repercute negativamente nos mercados globais

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Fábrica de aço na China, que exporta grandes quantidades do produto para os EUA

Fábrica de aço na China, país que exporta grandes quantidades do produto para os EUAREUTERS/Stringer/Arquivo

As bolsas de valores da Ásia fecharam em baixa hoje (2), e o mercado financeiro europeu também apresentou baixas nas operações da manhã, num possível reflexo da reação negativa ao anúncio feito pelo presidente Donald Trump de que os Estados Unidos irão impor uma nova taxa para importação de aço e de alumínio.

Com a decisão, o aço exportado de outros países para os EUAs terá 25% de taxas a partir da semana que vem segundo o anúncio feito pelo mandatário na Casa Branca. Já as importações de alumínio terão tarifas de 10%, Trump defendeu a medida protecionista como necessária para fortalecer a indústria siderúrgica americana.

“Vamos reconstruir nossa indústria de alumínio”, afirmou.  Ele acusou outros países de “arruinar o alumínio nacional” e afirmou que a culpa vem de erros na própria condução da política comercial norte-americana em gestões anteriores.

Quedas

Hoje no Japão o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio mostrou queda de  2,50% e na China e em Hong Kong as quedas foram de 0,59% e 1,48% respectivamente. Pouco depois do anúncio das taxas, os efeitos foram sentidos na própria bolsa americana e Wall Street fechou nessa quinta-feira com baixa de 400 pontos.

Saiba Mais

Internamente, as grandes montadoras terão de pagar mais pelo aço e alumínio usado na fabricação de automóveis. As novas tarifas vão afetar grandes mercados exportadores de aço para os Estados Unidos, como a China, Japão e Coreia do Sul, este dois últimos importantes aliados do país. O Brasil também é um grande exportador de aço para o mercado americano.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) brasileiro, a restrição comercial imposta por Trump ao aço e alumínio afetará as exportações nacionais de ambos os produtos e pode resultar em uma contestação brasileira da medida nos organismos internacionais.

Em nota oficial, o MDIC informou que o governo brasileiro espera chegar a um acordo com os EUA para evitar a aplicação das tarifas, mas caso isso não seja possível, o país pode questionar a elevação das tarifas em foros globais. “O governo brasileiro não descarta eventuais ações complementares, no âmbito multilateral e bilateral, para preservar seus interesses nesse caso concreto”, disse o ministério.

Reações internas

A reação política interna também foi imediata, até mesmo entre aliados próximos ao presidente. Em um comunicado, o senador republicano Orrin Hatch, do estado de Utah e um grande defensor de Trump, afirmou que o presidente deveria reconsiderar a decisão.

“As tarifas de aço e alumínio são um aumento de impostos que os americanos não precisam e não podem pagar. Eu encorajo o presidente a considerar cuidadosamente todas as implicações de aumentar o custo do aço e do alumínio para os fabricantes e consumidores americanos “, escreveu, Hatch, que é presidente do Comitê de Finanças do Senado.

O senador republicano da Pensilvânia, Pat Toomey, rotulou a decisão de “um grande erro”.  E também afirmou que quem pagará a conta serão os consumidores finais, que terão de comprar produtos mais caros.

A imprensa americana chamou a decisão de “desastrosa” e disse que a medida poderia causar uma “guerra comercial” entre os Estados Unidos e outras nações, o que seria prejudicial ao país.

Edição: Augusto Queiroz

FONTE: Agência Brasil

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