Audiência da denúncia contra Lásaro Borges é marcada por contradições

Francisco Gonçalves disse que comprou votos a pedido de Lásaro, mas que não se lembra do nome das pessoas. Advogado de Lásaro Borges apresentou contradições nas falas do denunciante.
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A comissão processante que investiga a conduta de Lásaro Borges (PSD) realizou na tarde desta sexta-feira (22) a primeira audiência. Foram ouvidos o denunciante, Francisco Gonçalves, o denunciado e testemunhas de defesa.

No início da sessão, Francisco disse que tem 69 anos e atuou como líder comunitário na comunidade de Lanhosos, zona rural de Patos de Minas. Ressaltou que a primeira vez que teve carteira assinada foi quando foi contratado como motorista por Lásaro. Durante a audiência foi informado que Francisco trabalhou, em cargo de confiança, na gestão de Pedro Lucas.

O advogado de acusação, Thiago Queiroz, informou que a defesa de Lásaro Borges (PSD), tentou recentemente um novo recurso, em Belo Horizonte, para evitar o depoimento do denunciante. Apesar da tentativa, a audiência aconteceu normalmente. Por entendimento judicial, a acusação não pode indicar, diretamente, testemunhas para depor.

Ao ser questionado sobre o motivo da contratação dos serviços como cabo-eleitoral, Francisco Gonçalves afirmou que Lásaro Borges queria ser reeleito e com a ajuda dele conseguiria o objetivo, já que tem uma família numerosa. “Ele me ofereceu um cargo de motorista por quatro anos e mais R$ 1 mil. Eu comprei votos de algumas pessoas, a pedido dele”.

Francisco Gonçalves - autor da denúncia contra Lásaro
Durante o depoimento, Francisco disse que não se recordava de nomes e até pediu desculpas aos vereadores da comissão
Foto: Lélis Félix (Patos Notícias)

Novamente perguntado, pelo presidente, Daniel Gomes (PDT), Francisco Gonçalves disse que não sabe informar o nome das pessoas que ele comprou votos a pedido de Lásaro. “Ele me deu R$ 4 mil para mim comprar votos” afirmou.

Francisco disse que foi contratado e dispensado ao mesmo tempo do cargo de motorista particular. “Ele levou os documentos para mim e disse que estava com pressa, porque o contador estava quase fechando, e eu não li”.

Francisco Gonçalves foi interrogado pelo advogado de Lásaro Borges.
Foto: Lélis Félix (Patos Notícias)

O advogado de defesa de Lásaro Borges, Abelardo Medeiros Mota, interrogou  Francisco Gonçalves e revelou que ele atuou como diretor de estradas, obras de artes e diretor de agropecuária durante a gestão de Pedro Lucas (2012-2016).

Outra contradição, apontada pelo advogado de defesa, é sobre a escolaridade de Francisco Gonçalves. No início da oitiva, ele disse teria ensino médio, porém um documento indica apenas o ensino fundamental. Questionado pela vereadora Elisabeth Maria (DEM), Francisco disse que fez uma prova para obter a conclusão do ensino médio.

Lásaro Borges (PSD) - Vereador de Patos de Minas
Confiante, Lásaro Borges chegou a posar para fotografias
Foto: Lélis Félix (Patos Notícias)

Durante depoimento, Lásaro Borges disse que sua ex-assessora, sobrinha de Francisco, foi a responsável por apresentá-los. Ele negou que tenha procurado o idoso para trabalhar na campanha de 2020. Citou que a única vez que teve contato com Francisco, durante campanha, foi em visita a zona rural. “Francisco me pediu uma carona quando eu visitava a região de Lanhosos”.

Lásaro Borges disse que no início do ano começou a receber visitas frequentes de Francisco no gabinete. De tanto insistir, o vereador afirmou que o contratou como motorista particular para levá-lo na zona rural semanalmente.

A contratação aconteceu em março de 2021 e a dispensa em maio de 2021. O interrogatório de Lásaro Borges foi conduzido pelo relator da comissão, Gladston Gabriel (PODEMOS).

Elisabeth Maria, membro da comissão, disse que as falas do denunciante e do denunciado são distintas e questionou Lásaro: “quem está falando a verdade?”. Lásaro sorrindo respondeu: “a senhora me conhece a muito tempo, agora cabe a senhora me julgar”.

A defesa de Lásaro Borges convocou os três assessores parlamentares, que atuam no gabinete, para prestar depoimento. Todos disseram que o patrão tem boa índole e que a contratação de Francisco como motorista se deu dentro da legalidade.

O relator, Gladston Gabriel, disse, em entrevista, que identificou supostas contradições no depoimento das testemunhas de defesa no que tange a contratação de Francisco. Porém, afirmou que ainda não se pode julgar já que o processo está no início.

Na próxima oitiva, a ser marcada, serão convocados dois ex-assessores parlamentares. Eles foram dispensados por Lásaro Borges (PSD) entre janeiro e fevereiro de 2021.

Antes da oitiva, Francisco Gonçalves conversou com o repórter Lélis Félix. Assista:

Assista a íntegra da oitiva:

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