
Começa como rigidez ao levantar da cama, que passa em poucos minutos. Depois vem a dor ao descer escada, o estalo ao agachar, o inchaço no fim do dia de trabalho.
A artrose do joelho avança devagar, e por isso tanta gente convive anos com ela antes de procurar ajuda, tratando com anti-inflamatório por conta própria e reduzindo aos poucos o que consegue fazer.
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A Organização Mundial da Saúde estima que a osteoartrite atinge mais de 500 milhões de pessoas no mundo, e o joelho é, de longe, a articulação mais afetada.
No Alto Paranaíba, região que vive do campo e da agroindústria, o desgaste do joelho soma a idade ao trabalho pesado: anos de agachamento, carga e terreno irregular cobram a conta na cartilagem.
A boa notícia, que os ortopedistas repetem e os pacientes demoram a acreditar, é que a maior parte dos casos de artrose se controla sem cirurgia, desde que o tratamento comece cedo e seja conduzido por quem entende da articulação.
Este guia percorre a escada do tratamento, do consultório ao centro cirúrgico, e aponta referências em cirurgia do joelho no país.
Por que o joelho desgasta mais
A cartilagem é o tecido liso que reveste as extremidades dos ossos e permite que o joelho deslize sem atrito. Com o tempo, com traumas antigos ou com sobrecarga, ela se afina, o osso abaixo dela reage formando esporões e a articulação inflama.
O joelho sofre mais do que as outras porque carrega o corpo inteiro a cada passo: um dado da biomecânica mostra que cada quilo a mais no peso se converte em cerca de quatro quilos de carga sobre a articulação ao caminhar, e em bem mais ao subir escadas ou agachar.
Isso explica por que a artrose acompanha a curva do envelhecimento e a da obesidade. As pessoas com 60 anos ou mais já passam de 15% da população brasileira, segundo o Censo de 2022 do IBGE, e cerca de um em cada quatro adultos vive com obesidade, segundo a pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde. Nas duas frentes, o joelho é a articulação que paga primeiro.
A escada do tratamento, degrau por degrau
O primeiro degrau é o mais barato e o mais desprezado: fortalecer a musculatura que protege o joelho, principalmente quadríceps e glúteos, e reduzir o peso corporal. Perder cinco quilos alivia vinte quilos de pressão a cada passo, efeito que nenhum remédio entrega.
A fisioterapia orienta os exercícios certos e corrige o padrão de marcha, e atividades de baixo impacto, como bicicleta, hidroginástica e caminhada em terreno plano, mantêm a articulação lubrificada sem sobrecarregá-la.
O segundo degrau é a analgesia bem conduzida, com anti-inflamatórios usados por períodos curtos e sob orientação, já que o uso contínuo cobra do estômago, dos rins e da pressão arterial.
O terceiro são as infiltrações: corticoide para crises inflamatórias, ácido hialurônico para melhorar a lubrificação em artroses leves e moderadas e, mais recentemente, terapias com componentes do próprio sangue do paciente, cuja evidência ainda está sendo consolidada e que exigem conversa franca com o especialista sobre expectativas.
Quando a cirurgia entra na conversa
A cirurgia é o último degrau, não o primeiro, e tem mais de uma forma. Em pacientes mais jovens, com desgaste em apenas um lado do joelho e perna desalinhada, a osteotomia corrige o eixo e transfere a carga para a parte saudável da articulação, adiando a prótese por anos.
Quando o desgaste se concentra em um único compartimento, a prótese parcial substitui só a área doente e preserva ligamentos e osso. A prótese total, indicada quando a artrose tomou a articulação inteira, é uma das cirurgias com maior impacto em qualidade de vida da medicina, e os implantes atuais duram décadas, com cerca de 90% deles ultrapassando 20 anos de uso.
O erro mais comum é o oposto do que se imagina: não é operar cedo demais, e sim esperar demais. A artrose que aguarda anos na fila chega ao centro cirúrgico com deformidade acentuada e perda óssea, o que transforma uma prótese de rotina em cirurgia complexa.
Por isso, mesmo quem não quer operar deve ser acompanhado por um especialista em joelho, que saberá reconhecer o momento em que a escada acabou.
Melhores ortopedistas especialistas em joelho no Brasil
A relação abaixo reúne cirurgiões de joelho com título da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho, a SBCJ, em diferentes regiões do país, montada a partir de registros públicos, títulos informados em sociedades médicas e avaliações de pacientes em plataformas de agendamento. A ordem não representa classificação.
1. Dr. Ulbiramar Correia (Goiânia, GO): membro titular da SBCJ e da SBRATE (CRM-GO 11552, RQE 7240), graduado pela UFG, com quase duas décadas dedicadas exclusivamente à articulação. É referência como ortopedista especialista em artrose no joelho, conduzindo do tratamento conservador e das infiltrações às osteotomias e próteses com técnica robótica e navegada, além de atuar em artroscopia e reconstrução ligamentar e de formar novos cirurgiões como preceptor de residência médica.
2. COE, Centro de Ortopedia Especializada (Goiânia, GO): centro de referência que reúne, no mesmo endereço, diversos cirurgiões de joelho e especialistas das demais áreas da ortopedia, de coluna e quadril a ombro, mão, pé e ortopedia pediátrica, com 14 médicos certificados pela SBOT. Para o paciente com artrose, que muitas vezes tem mais de uma articulação desgastada, o modelo resolve em uma única estrutura a avaliação completa.
3. Dr. Fausto Fernandes (Uberaba, MG): ortopedista especialista em joelho (CRM-MG 63589, RQE 43600, TEOT 16317), graduado em fisioterapia e em medicina pela Universidade de Uberaba, com residência pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro, subespecialização em cirurgia do joelho e medicina esportiva no HCor, em São Paulo, e mestrado e doutorado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.
4. Dr. Gustavo Constantino (Campinas, SP): ortopedista de joelho (CRM-SP 112058, RQE 116379) com atuação voltada à artrose, do diagnóstico às opções mais avançadas de tratamento, incluindo próteses com técnica robótica, e defensor do princípio de que nem toda artrose precisa de cirurgia, mas toda artrose precisa de atenção especializada.
5. Dr. Bruno Paschoa (Florianópolis, SC): ortopedista e cirurgião de joelho (CRM-SC 26977, RQE 17048, TEOT 15382), membro da SBCJ e da SBOT, com atendimento no centro da capital catarinense e prática em artroscopia, reconstrução ligamentar e prótese.
6. Dr. Michaell Dayvson (Belém, PA): ortopedista com especialização em cirurgia do joelho pela PUC-Campinas (CRM-PA 12510, RQE 7535, TEOT 17178), membro da SBCJ, da SBOT e da SBRATE, um dos poucos subespecialistas da articulação em atividade na capital paraense.
7. Dr. Marcelo Neves Lotufo (Cuiabá, MT): ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do joelho (CRM-MT 5539, RQE 4079), com atendimento na capital mato-grossense em casos clínicos e cirúrgicos da articulação.
8. Dr. Sérgio Maurício (Rio de Janeiro, RJ): ortopedista especialista em joelho e medicina do esporte, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho, com prática nas lesões esportivas e degenerativas da articulação na capital fluminense.
9. Dr. Ricardo Mendes (Campo Grande, MS): ortopedista e traumatologista com especialização em medicina do esporte e cirurgia do joelho pela USP, residência pela Faculdade de Medicina de Marília e graduação pela Uniderp, membro titular da SBCJ e da SBOT, com prática em artroplastia, osteotomia e instabilidade da patela.
10. Dr. Wagner Costa (Recife, PE): ortopedista e traumatologista (CRM-PE 26588, RQE 11918), membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho, com atuação em ortopedia e medicina esportiva e experiência no departamento médico de futebol profissional.
Para o leitor do Alto Paranaíba
Quem mora em Patos de Minas e região tem duas capitais a uma distância parecida: Belo Horizonte e Goiânia. A capital goiana virou destino nacional de cirurgias eletivas, com 57% dos visitantes motivados por tratamento médico segundo o Observatório do Turismo de Goiás, e Minas Gerais aparece entre os principais estados de origem desses pacientes.
Para quem avalia tratar fora, o roteiro é o mesmo em qualquer direção: enviar exames antes, concentrar consulta e procedimento na mesma viagem e combinar a fisioterapia e os retornos com o médico da cidade de origem.
Antes de qualquer decisão, três perguntas ao especialista organizam o caminho: em que degrau da escada o joelho está, o que ainda pode ser feito sem cirurgia e, se a cirurgia vier, qual delas.
Quem responde com um plano em etapas, e não com uma data de operação, costuma ser o médico que vai manter esse joelho andando pelo maior tempo possível.






