Após sucessivos erros no Enem 2019, estudantes temem perder vagas nas universidades

Veja o histórico de curiosidades e polêmicas envolvendo o Enem
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Desde que o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados do Enem 2019, os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) demonstram preocupações com as notas e a possibilidade de que os erros afetem o ingresso na graduação.

A inconsistência gerada na correção dos gabaritos, de acordo com o MEC, ocorreu durante a transmissão das informações. A gráfica responsável pela impressão das provas associou incorretamente o caderno de questões à folha de respostas. Assim, quem fez prova de uma cor teve o gabarito corrigido como se fosse outra cor, segundo o MEC.

Após a polêmica e uma série de reclamações geradas nas redes sociais, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) reconheceu a falha e afirmou que as irregularidades foram verificadas nos dois dias de aplicação das provas, 3 e 10 de novembro de 2019.

Com isso, o Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo solicitou a suspensão do calendário do Sistema de Seleção Unificada (SISU) até que o Ministério da Educação comprovasse a correção de todas as provas e a lisura do Exame.

Em virtude das inconsistências que envolveram o Enem, estudantes continuam apreensivos e, mesmo com a autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para a divulgação do resultado do SISU, na terça-feira (28), alguns inscritos temem ser prejudicados.

Exemplo é a estudante Ana Caroline, 17, que fez o Enem pela primeira vez no ano passado. Na tentativa de conquistar uma vaga para o curso de Ciências Biológicas, ela acessou o resultado com insegurança.

“Independentemente de terem autorizado a divulgação das notas eu não consigo acreditar que as provas de milhares de pessoas foram corrigidas. O prazo foi curto e ninguém tem garantia da segurança desse sistema”, desabafa a estudante, traçando os próximos passos. “Como não fui aprovada para as opções que escolhi, vou aguardar os resultados do Prouni e tentar uma bolsa de estudo”, conclui.

Assim como Ana, milhares de estudantes continuam na expectativa pelos programas do governo. Mas para quem deseja garantir uma vaga e iniciar o ensino superior, ainda neste ano, há possibilidade de contar o apoio do Educa Mais Brasil, que disponibiliza bolsas de estudo em todo o país, com descontos que podem chegar a 70%. Tudo isso sem precisar da nota do Enem. Basta acessar o site e fazer a inscrição.

Sisu: faculdades com inscrições suspensas

Diante da repercussão do erro no Enem 2019, a União Nacional dos Estudantes (UNE) divulgou, nas redes sociais, uma lista com universidades públicas que estão com as inscrições suspensas pelo SISU, mesmo após a liberação dos resultados do programa. Confira a relação:

-UFSC
-UFGD
-UFRN
-UFOPA
-UFPA
-UEPA
-Unifesp
-IFCE
-UFPEL
-UFES
-UFMT
-UEPB
-IFPB
-UNIFAP
-UFR
-UFRA
-IFPA
-UFBA
-UFT

Erros no Enem

Apesar de não serem esperadas, as falhas na aplicação das provas do Enem não são inéditas. Seja durante a divulgação dos resultados ou posterior, o Exame Nacional do Ensino Médio tem um histórico de polêmicas desde a sua criação.

Abaixo, há uma retrospectiva de fatos que marcaram o exame. Confira!

1998 – Criação do Enem

O Exame foi criado na gestão de Paulo Renato Souza, estando à frente Ministério da Educação, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

1999

As Instituições de ensino superior começaram a utilizar o Enem como forma de ingresso ao nível superior.

2000

Neste ano, o processo passou a ofertar provas em braile e também a opção ampliada, com o auxílio de leitores.

2001

Marcou o início da política de inscrição gratuita para concluintes do ensino médio no ano da edição.

2004

Os resultados passaram a ser utilizados como critério para inscrição no Prouni.

2005 – Popularização do Enem

Com a adesão do Prouni, o Enem registrou uma marca história de inscritos em 2005: 3 milhões de inscrições e 2,2 milhões de participantes.

2009

Ocorreu um furto do caderno de questões dentro da gráfica responsável pela impressão e o grupo de acusados tentou vendê-lo para veículos de comunicação. Também nesse ano o exame começou a ser aplicado para pessoas privadas de liberdade (Enem PPL).

2010

Dados pessoais de participantes das edições de 2007, 2008 e 2009 do Enem vazaram e ficaram disponíveis na internet.

2011

Nesse ano, mais de mil estudantes do Rio de Janeiro descobriram que o local da prova indicada no cartão de confirmação estava incorreto, causando transtornos aos inscritos.

2012

Em 2012, cerca de 129 redações do Enem 2011 tiveram “erro material” na sua correção e parte delas teve sua pontuação alterada.

2013

A nota do Enem passou a ser utilizada na concessão de bolsas de estudos do programa Ciência sem Fronteiras.

2014

Foi assinado um acordo interinstitucional com uma Instituição de Educação Superior Portuguesa, a Universidade de Coimbra, como forma de ingresso dos estudantes através das notas obtidas.

2015

Início da política de atendimento por nome social.

2016

Estreia da coleta de dado biométrico e o uso de detectores de metal na entrada e saída dos banheiros.

2017

Após Consulta Pública, o exame passou a ser aplicado em dois domingos consecutivos, evitando o “confinamento” de participantes que “guardam o sábado” por motivos religiosos.

2018

Foi implantada a etapa de justificativa de ausência e solicitação de isenção em período anterior à inscrição.

 

Fonte: Juliete Neves com colaboração de Bárbara Maria – Agência Educa Mais Brasil

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