Alunos de Sabará recebem visita do rei de Ifé, da Nigéria

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Os alunos da Escola Estadual Professor Zoroastro Vianna Passos, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, receberam uma visita especial na manhã desta sexta-feira (15/6). O rei de Ifé, da Nigéria, Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi, que cumpre agenda em Minas Gerais desde esta quinta-feira (14/6), esteve presente na instituição para conhecer de perto o projeto “Empoderamento dos Alunos Negros para o Mercado de Trabalho”, pertencente ao Núcleo de Pesquisas e Estudos Africanos, Afrobrasileiros e da Diáspora (Ubuntu/ Nupeaa’s) da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE).

Na presença do rei e de sua comitiva, os 11 estudantes e também pesquisadores que participam do projeto de iniciação científica explicaram o conceito e os objetivos do trabalho: descobrir maneiras de como empoderar cada vez mais os jovens negros para que eles se tornem profissionais bem sucedidos. Os integrantes do grupo de pesquisa constataram, depois de assistir a um vídeo sobre racismo institucional, que há grandes diferenças entre negros e brancos no mercado de trabalho.

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Para aluna Michelle Paola Pereira de Souza, do 3º ano do Ensino Médio, pesquisar esse tema é importante e, mais do que encontrar meios de tornar o jovem negro um bom profissional, é mostrar a ele que não há diferenças de capacidade e competência em função da cor da pele. “A maioria dos brasileiros é negra, mas sabemos que a maioria dos negros está em situação profissional inferior aos brancos. Então, queremos encontrar maneiras de empoderar os jovens negros cada vez mais, mostrar a eles que eles podem e devem fazer uma faculdade, ter uma carreira promissora, e ser tão bem sucedido quanto qualquer outro”, explicou a aluna.

O professor de História e orientador do grupo, Helder Júnior de Souza, acredita que a visita do rei é um sinal de que o projeto vem sendo conduzido no caminho certo e serve como um reforço para os conceitos pesquisados. “É muito comum as pessoas associarem a figura de um rei a uma pessoa branca, então vir um rei negro já mostra aos jovens que existe essa possibilidade, sim, de associar o negro ao poder. Além disso, é importante mostrar que a cultura negra tem uma forte e rica raiz e, por isso, todos devem reconhecê-la, principalmente porque é impossível empoderar-se sem se apropriar de suas raízes”, esclareceu o orientador do projeto.

Além de explicarem o projeto, os estudantes fizeram uma apresentação cultural com música e tambores para o rei e sua comitiva e os presentearam com produtos feitos de jabuticaba, fruta símbolo do município de Sabará.

A subsecretária de Desenvolvimento de Educação Básica da SEE, Augusta Mendonça, acompanhou a visita do rei em Sabará e a apresentação do projeto feita pelos alunos. Ela considera que a visita da majestade nigeriana vem como um reconhecimento do bom trabalho desenvolvido e como a reafirmação da importância de respeitar as diversidades. “Sabemos que a temática do projeto reitera a importância de reconhecermos as diferenças, de atacarmos toda e qualquer ação racista e de empoderar esses jovens negros no sentido de reconhecerem seu valor e fortalecerem as relações étnico-raciais dentro da escola. A vinda do rei mostra o reconhecimento da necessidade de se tratar esse tema e de dar apoio aos nossos jovens”, disse.

Em seu discurso aberto ao público, na praça Melo Viana, próximo à escola, o rei Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi deixou seu recado aos jovens e a todos os presentes. “É com toda alegria que estou aqui, e vejo aqui os futuros líderes, que são os estudantes, e agradeço muito por me receberem. Na humanidade, não se pode separar uns dos outros, a igualdade racial deve ser mantida no mundo inteiro, porque nenhuma raça é superior à outra. Se todos nós compartilharmos amor, o mundo certamente será menos cruel e um lugar incrivelmente melhor, sem diferenças”, disse.

Além da visita à Sabará, o rei participa, ainda nesta sexta-feira, da Conferência “Narrativas Afrodiaspóricas: experiências literárias de resistência”, que vai reunir cerca de 300 professores da Educação Básica no auditório da Escola Superior Dom Helder Câmara, em Belo Horizonte.

A agenda do rei de Ifé e sua comitiva a Minas Gerais se estende até o próximo domingo (17/6), com visitas em comunidades quilombolas e cidades históricas, entre outros compromissos.

Conferência Magna

Na noite desta quinta-feira (14/6), foi realizada no Palácio das Artes a Conferência Magna no Palácio das Artes, onde o secretário de Estado de Educação de Minas Gerais em exercício, Wieland Silberschneider, deu as boas vindas ao rei de Ifé, Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi. “Em nome da Secretaria de Estado de Educação agradeço a vinda de Sua Majestade e delegação, e reforço a importância de se estreitar os laços entre dois países que têm tantos aspectos culturais em comum e de reforçar a luta pela valorização da cultura africana e afro-brasileira”, disse o secretário.

Ubuntu/Nupeaa’s

O Programa de Iniciação Científica no Ensino Médio objetiva levar a experiência de pesquisa e extensão a 3.452 estudantes, 221 professores, de 221 instituições de ensino estaduais, de todas as 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs). O projeto está estruturado em três ações, sendo uma delas o “Núcleo de Pesquisas e Estudos Africanos, Afro-brasileiros e da Diáspora” (Ubuntu/Nupeaas), que tem como enfoque a promoção da igualdade racial pautada no reconhecimento da diversidade como elemento preponderante para o desenvolvimento escolar. Foram selecionados 94 projetos para integrar o eixo Ubuntu/Nupeaas, que é realizado em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Instituto Unibanco e Ação Educativa.

Rei Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi

Ooni Ogunwusi nasceu na família Giesi, Ojaja Royal de Agbedegbede, no Ile-Ifé, o berço dos Yoruba em todo o mundo. A tradução do nome Adeyeye para o português é “A coroa adéqua-se ao Rei”. Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi foi coroado o 51º rei de Ifé em 07 de dezembro de 2015. Antes se tornar rei, Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi foi um empresário que se destacou pela abordagem da criatividade e inovação.

Já como rei, foi nomeado chanceler da Universidade da Nigéria, Nsukka, pelo presidente da República Federativa da Nigéria Mohammadu Buhari. Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi viajou para muitas partes da Nigéria, pregando a unidade e a paz entre os governantes tradicionais e promovendo o empoderamento da juventude para reduzir a taxa de criminalidade e o desemprego na sociedade. Ele emprega mais de 20 mil mulheres viúvas no seu empreendimento como forma de diminuir a desigualdade e promover o empoderamento das mulheres. Além disso, está trabalhando com muitos institutos de pesquisa agrícola sobre rendimentos melhorados, a fim de encorajar os jovens a voltar para as terras agrícolas.

Fonte: Agência Minas

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